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O hiato de dez anos não foi suficiente para calar David Bowie que, ao contrário do que todos imaginavam, mostra ainda vigor criativo ímpar e surpreende ao anunciar, na última terça-feira (08) – na data em que completa 66 anos -, o lançamento de seu primeiro single inédito, Where are we now?, desde Rebel never gets old, do disco Reality, de 2003.

De lambuja, o Camaleão lançou ainda o clipe da música que promove seu trigésimo disco, The Next Day, que está previsto para ser lançado na Inglaterra em 11 de março. Mais que uma espécie de ressurreição, Bowie trouxe a si todas as atenções de um ano que, aparentemente, começava sem grandes promessas e alcançou o terceiro lugar nas paradas do iTunes UK com a pré-venda do disco – que será comercializado também nos formatos “tradicionais”.

Nós sempre teremos…Berlin

Produzido por Tony Visconti, responsável pela trilogia de Berlin – Low (1977), Heroes (1997) e Lodger (1979) – o álbum promete trazer o Bowie de “antigamente”, entretanto, maduro e consciente do processo de envelhecimento. A letra do primeiro single parece deixar isso às claras: “Had to get the train / from Potzdamer Platz / you never knew that / that I could do that / just walking the dead”.

Na realidade, Bowie volta a um período épico de sua vida e que ajudou a construir a atmosfera mágica que hoje permeia seu nome e confunde sua história com a do rock – e não é para menos, já que Ziggy Stardust (1972) e Diamond dogs (1974) já previam um estética que iriam culminar no punk e, posteriormente, no rock gótico. Mas quando o mundo começasse a compreender a pedra lançada, David Jones já estaria em outra e navegaria por ondas que desembocaria na new vawe – Scary monsters (and the super creeps) (1980) e Let’s dance (1983).

London boy

O menino de infância difícil se transformou em um dos nomes mais importantes da música e influenciou gerações e gerações. Bowie transformou suas excentricidades em um negócio que, aliado à sua música, ajudaram a criar personagem que, de alguma forma, era caricaturas do artista criativo, amargurado e sedento pelo sucesso.

Quando concebeu o alienígena Ziggy Stardust, o apocalíptico andrógeno Halloween Jack e o aristocrático The Thin White Duke, Bowie desenvolveu personas que iam além do palco e se transformavam no artista fora do backstage. Na época de Station to station (1976) encarnava o The Thin White Duke em seu dia a dia, vivia com medo de ser assassinado, alucinação causada pelo consumo desenfreado de cocaína.

E o que seria o Bowie de The Next Day? Só depois de 11 de março para descobrir.

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