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“Finnegans Wake”, um sucesso na China e “Ulysses”, um fenômeno no Brasil

16 sábado fev 2013

Posted by jonatanrafaeldasilva in Ensaios, Literatura, Tradução

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James Joyce, Literatura, Ulysses Finnegans Wake

james joyce

O assombroso fenômeno que tornou Finnegans Wake (1939) – considerado uma das obras mais difíceis de todos os tempos – do irlandês James Joyce um sucesso de vendas em sua tradução na China tem virado manchete ao redor do mundo. Primeiro, porque o calhamaço de sete volumes por si só deixa leitores, mesmo os mais preparados, de cabelo em pé pelos diversos trocadilhos, jogos de palavras e armadilhas linguísticas criadas pelo autor em diversos idiomas.

A edição chinesa se chama Fennigen de Shouling Ye e foi traduzida para o mandarim pela professora Dai Congrong, de “apenas” 41 anos, e levou oito anos para ficar pronta – o que não é nenhuma eternidade se considerarmos a dificuldade da empreitada e suas muito mais que mil páginas.

A intenção de Congrong é que o livro estivesse ao alcance de estudiosos e escritores, nunca pensando que se transformaria em um fenômeno arrebatador de vendas na China. Para se ter uma ideia, de acordo com o jornal inglês Guardian, a primeira tiragem do primeiro volume saiu com oito mil exemplares e esgotou em um mês. Reparação, do britânico Ian McEwan, considerado um best-seller por lá, vendeu ao todo cinco mil cópias.

Aqui e lá

Quando questionada sobre os métodos utilizados para a transposição dos idiomas, a professora afirmou que teve se simplificar algumas frases, criando períodos mais curtos, porque, caso contrário, seria praticamente impossível. Não é difícil imaginar o porquê muitos leitores não conseguem passar da folha de rosto.

A proposta da tradutora, apesar de controversa, é muito parecida com a escolhida pela professora Bernardina da Silveira que, no começo deste século, fez a segunda tradução de outro clássico joyceano: Ulysses (1921). A principal intenção da brasileira era, justamente, não criar rodeios na linguagem do livro – acusação e pecha que Houaiss carrega até hoje por conta do lançamento da sua tradução em 1966.

Por sinal, a tradução do filólogo ficou um tanto esquecida e longe das prateleiras até o ano passado, quando o curitibano Caetano Galindo levou ao público a terceira tradução do livro que, desta vez, manteve o “y” do título e tinha como principal intento nem ser difícil e nem ser fácil, “somente” fiel ao original. Com o retorno de Ulysses criou-se certo frisson sobre a obra e seu autor, dando novos ares ao irlandês.

Pensando dessa forma, o que se vê por lá não é muito diferente de que se viu por aqui.

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Especial Fim de semana: Entrevista exclusiva com a tradutora Denise Bottmann

18 sexta-feira jan 2013

Posted by jonatanrafaeldasilva in Especial Fim de semana, Literatura, Tradução

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Companhia das letras, Cosac Naify, Denise Bottmann, Especial Fim de semana, Literatura, Não gosto de plágio, tradução, tradução inédita

Iniciando a série Especial Fim de semana, que será publicada às sextas-feiras – com um conteúdo especial ou uma entrevista – o Nada de meias palavras escolheu a tradutor e “caçadora de plágio” Denise Bottmann. Há quase três décadass no “ramo”, Denise tem entre seus trabalhos obras de Hannah Arendt, John Boyne, as memórias de Matisse e a biografia de Van Gogh.

Além disso, ela tem se notabilizado pela “militância” no combate ao plágio nas traduções. Para isso, Denise mantém o blog Não gosto de plágio.

Em seu currículo você tem obras traduzidas de James Wood (Como funciona a ficção), passando por Peter Gay (Freud: Uma vida para o nosso tempo) e desembocando em Marguerite Duras (O Amante). Até que ponto – tendo em vista a diversidade do seu trabalho – a tradução é uma escolha afetiva, isto é, tem o estopim da escolha das obras pelo tradutor – com liberdade de dizer sim e não – e não apenas uma imposição?

Que coincidência! Outro dia mesmo eu falava em “tradução afetiva”! Mas veja, no fundo não há tanta diversidade em meu trabalho. Mentalmente, faço duas “divisões”. A primeira se dá entre obras de humanidades em geral, que é minha área de concentração, e obras de literatura, a que passei a me dedicar mais recentemente. A segunda divisão se dá entre traduções “normais”, digamos assim, e traduções “afetivas”, que não são necessariamente obras literárias (como o caso de Thoreau).

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Este é um lado da coisa. O outro lado é a questão da escolha, que você cita. De modo geral, as editoras conhecem o perfil de seus colaboradores. Então, habitualmente elas propõem obras em minha área e costumo aceitar. É claro que tenho a liberdade de recusar, e já recusei vários livros, pelas razões mais variadas, desde ideológicas a monetárias.

Então, resumindo, não há imposição editorial: há propostas, que você aceita ou não. É possível também você sugerir algum título e a editora topar.

Em entrevista ao jornal Cândido – da Biblioteca Pública do Paraná (BPP) – o e escritor e tradutor Rubens Figueiredo atentou ao fato de que, muitas vezes, o escritor nem bem escreveu o livro e ele já tem sua tradução vendida. Esse “comércio” atrapalha o tradutor ou ajuda a criar uma profissionalização da área?

Acho que as duas coisas. Nos últimos tempos, tenho feito algumas traduções que escapam a meu perfil habitual: são obras mais de circunstância, que prometem sucesso comercial, às vezes com lançamento simultâneo ao da obra original. Aceitei algumas propostas dessas mais por atenção à casa publicadora do que por qualquer outro motivo. Do ponto de vista de satisfação pessoal, não é a melhor coisa do mundo.

Por outro lado, sem dúvida esse tipo de linha editorial obriga a uma maior profissionalização das próprias editoras, para conseguirem ter seus lançamentos na data prevista e com qualidade pelo menos aceitável. É uma tendência que, creio eu, vai se acelerar ainda mais e as editoras e colaboradores terão de se adequar.

Em todo caso, não é muito minha praia. Prefiro aquelas obras chamadas “de fundo de catálogo”, de maior permanência e menos sofreguidão.

Você pode ser considerada uma “caçadora de plágio”, graças às várias denúncias que você apresenta em seu blog, no entanto, você própria já foi vítima dos “monges copistas” – vale lembrar o caso de In the tracks of historical materialism. Qual é o tratamento dado pelas editoras a esse tema?

Pois sabe que vim a descobrir – e é totalmente compreensível – que as editoras sérias são das maiores interessadas no problema? Afinal, como me disseram vários editores, esse fator – a contrafação, o plágio – acaba gerando uma concorrência desleal complicada para eles. Além disso, a perda de credibilidade dessas editoras faltosas junto aos leitores às vezes pode respingar sobre o setor editorial como um todo, o que não interessa a ninguém, claro.

Então, os editores corretos, até onde sei, apreciam que haja uma reação externa – de leitores, de profissionais, de instituições – contra a corrupção dentro do mundo editorial, antes que ela se alastre demais. Por isso, vários editores são francamente simpáticos a tais denúncias, pois veem que elas acabam tendo um efeito saneador dentro do setor.

Recentemente, uma editora com diversos títulos publicados, e com plágios comprovados, teve seus livros comprados para “fins educacionais”. Uma atitude como essa demonstra a falta de preparo dos órgãos responsáveis por fiscalizar o setor?

Ah, sim, sem dúvida! Melhor dizendo, um órgão como a FBN não pode fiscalizar o setor editorial, nem é seu papel. Nessas terríveis ocorrências no Programa do Livro de Baixo Preço, o despreparo se deu na formulação do programa e no cumprimento (ou falta de cumprimento) das normas dos próprios editais e regulamentos. Bastaria que a FBN determinasse que as editoras, no ato de inscrição, anexassem a documentação comprovando a titularidade dos direitos sobre aquelas obras, como acontece normalmente em qualquer outro programa do governo para aquisição de livros para escolas e bibliotecas públicas. Espero que sanem logo essas insuficiências um tanto primárias.

E ainda: se no momento em que é requerido o ISBN é necessário apresentar diversos dados do título – incluindo o nome do tradutor – como é possível que esses livros cheguem às ruas? E qual o papel das livrarias em permitir que uma obra dos tradutores que você chama de “pretensos” chegue ao leitor?

O ISBN, tal como está funcionando na agência brasileira, tem várias deficiências. Você encontra os cadastros mais estapafúrdios, incompletos, fantasiosos que se podem imaginar. O formulário de solicitação de fato pede vários dados; mas, se o editor não os preencher, nem por isso o formulário será devolvido; é aceito e cadastrado daquele jeito mesmo.

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Pois veja, pela Lei do Livro, é obrigatório que conste o ISBN – mas, se você colocar um número qualquer, quem vai fiscalizar, quem vai ver que está errado, que é frio ou falso? Ninguém. O controle tem de ser na hora da entrada da solicitação; depois, não tem como. Até mais importante do que o ISBN, em termos bibliográficos, é a ficha CIP, igualmente obrigatória. Quantos livros nem ficha CIP têm? Agora, ISBN todos têm, falso ou verdadeiro. Por quê? Porque funciona como código de barras para a comercialização do livro. Ou alguém acha que vai à livraria ou ao Extra ou às Lojas Americanas ou aonde quer que vendam livros, escolhe um livro, o caixa vai tirar uma enorme tabela, procurar o título para então saber o preço? Não. É tudo por código de barras – por isso o ISBN passou a ter 13 dígitos, desde 2007, para ficar no mesmo padrão do EAN-13. Aí o caixa pega o livro, passa por aquela maquininha leitora de código de barras, e pronto, já sai o preço na tela para a emissão da nota.

Então, repito, há editoras que não usam CIP e usam ISBN verdadeiro ou falso porque… ora, não porque a Lei do Livro assim determina, mas porque é o código digital que permite a comercialização do produto.

Agora, livraria é outro drama. Por lei, as livrarias são solidárias na responsabilidade pela contravenção. Mas, na prática, vai da consciência do livreiro. E como muitas livrarias não se importam se vendem fraudes ou não, desde que vendam, a delinquência editorial fica protegida por essa conivência ampla, difusa e generalizada.

O que dizer de nomes como Pietro Nassetti – se ele realmente existisse?

Pietro Nassetti existiu. Incrível, não? Todo mundo acha que era nome inventado. Nada! Era um italiano que migrou para o Brasil nos anos 50 ou 60, dentista, seguidor das doutrinas de Huberto Rohden, amigo do sr. Martin Claret, que morava no ABC paulista e, ao que consta, cedia de muito bom grado seu nome para os cometimentos de seu amigo. Faleceu alguns anos atrás, acho que em 2007, se não me engano. Vai dizer o quê? Repouse em paz. Coitado, virou motivo de escárnio e nome que, hoje em dia, é sinônimo de falcatrua. Triste destino.

Agora, quanto a nomes realmente inventados para encobrir fraudes de tradução, como Enrico Corvisieri, Alex Marins, Jean Melville, John Green, Leopoldo Holzbach, Jorge Luís Penha, Roberto Domenico Proença, Pedro H. Berwick, Peter Klaus Ivanov… É uma galeria de mau gosto, do nível de seus inventores.

Mudando o rumo da conversa, Paulo Henriques Britto, poeta e tradutor, disse ao se referir sobre seu (dele) trabalho de transpor para o português os poemas de Elizabeth Bishop que, muitas vezes, o tradutor precisa abrir mão de algumas coisas, ou seja, precisa construir um objetivo e traçar o caminho até ele. Assim, o tradutor tem o poder de escolher como o texto original vai chegar ao leitor?

Não é bem assim. É que não tem outro jeito. Existem mil maneiras de traduzir uma mesma coisa. Então não é bem um “poder”, é uma necessidade de escolha. Feita essa pequena retificação, sim, o tradutor tem a necessidade de escolher como o texto original vai chegar ao leitor.

E é uma responsabilidade e tanto, pois, na hora em que você “decide”, digamos assim, qual o partido que vai adotar, que tipo de tratamento vai dar à obra em sua tradução, o que você julga mais adequado ou mais compatível com o original, você vai ter de manter esse mesmo tipo de aderência/descolamento ao longo de todo o texto. Não é fácil. E é por isso que podem existir tantas traduções de uma mesma obra. As escolhas nunca são as mesmas.

Ainda sobre a afirmação, nessa escolha, qual é o maior peso que o tradutor tem que levar em conta?

Irrespondível. Cada tradutor vai dizer uma coisa, e o mesmo tradutor vai dizer coisas diferentes para tipos de obras diferentes, para finalidades diferentes, em épocas diferentes.

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Um debate intenso tem sido feito em torno da terceira tradução de Ulysses, de Joyce, feita pelo curitibano Caetano Galindo, e que muita gente já chamou, por entre as linhas, de definitiva. Esse debate que, até certo ponto se tornou popular, é válido na sociedade ou deve ficar restrito a um conclave acadêmico ou uma roda intelectual?

Ah, é validíssimo, e quanto mais amplo melhor! Não li a tradução dele, mas vi aqui e ali vários comentários. Li Ulisses (com i, que foi a opção usada) na tradução do Houaiss. Sempre achei comicíssimo, delicioso. Claro que a tradução do Houaiss é meio pesada, com aqueles neologismos todos, meio empolados demais. Pelo pouco que vi da do Galindo, parece que ele pega mais esse veio muito cômico e divertido do Joyce. Tem ainda a da Bernardina Pinheiro, que também não li, mas, até onde sei, dá um tratamento mais acessível ao texto.

O que eu acharia legal, na verdade, é que lessem mesmo o Uli(y)sses. É importante, é simpático, é divertido – ficou toda essa aura mítica de grande obra, difícil, isso e aquilo. Sim, claro, mas também é muito legível. Ninguém precisa manter nenhuma atitude de deferência, de temor e respeito. As grandes viajações semânticas, a grande revolução literária, as inovações estilísticas e formais, as referências eruditas, tudo isso vem de bônus – e se quiser, pois, se não quiser, a pessoa pode se divertir e ter uma ótima leitura, mais solta, mais descompromissada.

Qual o legado da tradução no Brasil?

O Brasil é um país de formação eminentemente traduzida. É impossível imaginar o país sem depender vitalmente de tradução, em todos os níveis, de bula de remédio e manual de instrução a tudo o que se tem de biologia, física, química, astronomia, filosofia, direito, sociologia, antropologia, economia, teologia, engenharia, matemática, informática, literatura, o que for. No Brasil, até desenvolvemos conhecimentos, mas a partir de bases previamente dadas e sempre dentro de uma dinâmica constante de renovação, que se dá sobretudo em plano internacional. A produção dessa base de conhecimento no mundo ocidental sempre se deu em outra língua que não o português – grego, latim, inglês, francês, alemão, mesmo árabe, e um pouco talvez em italiano e espanhol. E essa dinâmica científica, cultural, intelectual em sentido amplo, continua a ser abastecida basicamente em centros internacionais. Acho que a pergunta é: como seria o Brasil sem tradução?

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Dois poemas de Sylvia Plath

13 quinta-feira dez 2012

Posted by jonatanrafaeldasilva in Tradução

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dois poemas, Jonatan Silva, Sylvia Plath, tradução

Sylvia Plath (1932 – 1963) foi uma das maiores poetisas. Com uma vida conturbada e um casamento – que não passou de uma ilusão -, ela construiu sua obra, calcada no dia a dia e no comum, transformado através de uma linguagem rica e sensível. O suicídio serviu para aumentar o mito sobre o nome de Sylvia Plath.

Cinderela

O príncipe curva-se à dama em saltos escarlates
Seus verdes olhos escorrendo, o cabelo migrando em um leque
De prata como o rondo vagueia; agora cambaleia
Estando os violinos em continuo movimento

O total revolver dos garrafões no hall
Onde os convidados buscam à luz feito vinho;
As velas rosas bruxuleiam na parede lilás
Refletindo no brilho de milhões de garrafas,

E faceiros casais estão em rápido transe
E o descanso seguindo se revela longo então
Até que à meia-noite, de uma vez,
a garota estranha
Culpada para, pálida, alcança o príncipe

No meio de passos agitados e de uma conversa
Ela escuta o som pesado do relógio.

Filho

Seus olhos claros são a única coisa bela em absoluto
Eu os preencho de cor e movimento
O zoológico dos mais jovens

Aqueles nomes que você medita —–
As flores de abril; as herbáceas
Pequeninas

Um galho sem rugas,
Piscina em que as imagens
Deveriam ser largas e clássicas

Não esse problemático
Aperto de mãos, essa sombria
Cela sem estrelas.

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Um poema de Oscar Wilde

28 domingo out 2012

Posted by jonatanrafaeldasilva in Tradução

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Oscar Wilde (1854 – 1900) animou a Inglaterra vitoriana com peças como O Marido ideal, Uma Mulher sem importância e Salomé. Sua produção para as crianças – O Príncipe feliz, O Gigante egoísta e O Rouxinou e a rosa e outros -povoou de emoção e magia o coração, mas foi com seu único romance – O Retrato de Dorian Gray – que esse irlandês chocou o mundo e escreveu seu nome na história. O poema a seguir foi traduzido por mim.

Minha voz

Nesse mundo moderno, inquieto e apressado
Tomamos nossos corações cheios de prazer – você e eu,
E agora as brancas velas de nossa nau estão enroladas,
E rotas por carregar tamanha embarcação.

Razão pela qual, antes da hora, minha fronte adoeceu
Por grande tristeza é minha alegria fugidia,
A amargura empalideceu o rubro de minha boca,
E a Ruína baixou as cortinas do meu leito.

Mas toda essa vida tem sido para ti
Nada mais que a lira, o alaúde e o verbo
Da viola bastarda ou da canção do mar
Que adormece, um eco mímico, em uma concha.

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Dois poemas de Jean Cocteau

16 terça-feira out 2012

Posted by jonatanrafaeldasilva in Tradução

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Jean Cocteau, poesia, português, tradução

Jean Cocteau (1889 – 1963) dedicou-se a todas as formas possíveis de arte, gravitando desde a poesia, passando pelo desenho e até mesmo o cinema. Sempre a frente de seu tempo, construiu um universo próprio, onde imperava a beleza – em forma e conteúdo – e também a vanguarda. Orphée, estrelado por Jean Marais, seu grande amor, é prova cabal disso. Sua obra, infelizmente, parece esquecida no Brasil. As traduções abaixo são minhas.

Homenagem a Eric Satie

Madame Henri Rousseau
sentada em um balão prisioneiro
ela segura um ramalhete
e o oficial aduaneiro Rousseau
comendo seus aperitivos

O aloé soprava com a lua
e a cadeira em tronco
e a linda roupa
e a bela lua
sobre as lindas folhas

O leão africano
seu avantajado ventre feito um saco
ao pé da República
o leão africano
devorando o cavalo do coche

A lua penetra a flauta
do charmoso de ébano
Yadwigha adormecida escuta
sua sina à flauta doce
uma peça em forma de uma pera.

Escola de Guerra

Que tediosa é a vida,
às cinco e meia
com essa matina a meio-mastro

As cornetas contagiosas
multiplicam-se dentro dos quartéis
tal qual uma doce epidemia

Deus como é triste este galo de cobre
o anjo ciclista
a sina dos pequenos
para enviar milhares de despachos

A pobre corneta se cala
dentro dessa enorme casa
e acordam gelados
os viajantes da Grande EstepeNao esque¿a de subir aqui na loja

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