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Especial Fim de semana: David Bowie e a reinvenção do rock em “The Next day”

01 sexta-feira mar 2013

Posted by jonatanrafaeldasilva in Especial Fim de semana, Música

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David Bowie, Especial Fim de semana, Música, The Next day

bowie

Por mais clichê que seja, o Especial de fim de semana terá como personagem David Bowie, afinal, chegou o dia tão esperados pelos fãs do camaleão. The Next day, que será lançado em uma semana, finalmente, pode ser ouvido por todos.

Ontem (28), o cantor havia anunciado em sua página oficial que os fãs teriam, em breve, uma grata surpresa. E não era balela, hoje – pela manhã – usuários do iTunes já podiam ouvir em primeira mão o álbum – que é o primeiro de inéditas lançado desde Reality, em 2003.

Depois de muitas resenhas oficiais, NME, Guardian, HotPress, seria natural que a ansiedade só aumentasse. A situação só ficou pior após o segundo single ser disponibilizado na ultima terça-feira (26). Polêmico e muito bem feito, o vídeo de The Stars (are out tonight) chamou tanta atenção quanto a música.

Vanguarda

The Next Day não veio apenas para quebrar o hiato, o disco funciona como uma espécie de catarse para Bowie, que deixa de lado o viés eletrônico que usou em seus últimos álbuns para voltar ao rock. Falando assim, até parece que o britânico vai na onda do que há de mais moderno no momento, mas é justamente o contrário.

Antes de existir o punk, Diamond dogs (1974) e Ziggy Stardust (1972) já pincelavam aos nuances que ajudariam a construir o gênero. Mesmo tendo começado com uma levada folk, como em David Bowie (1967) e Space Oddity (1969), em um momento em que o estilo iniciada a derrocada, ele soube redirecionar a carreira e lançou The Man who sold the world (1970), disco que já trazia alguns conceitos que o acompanhariam por toda a década. E, por falar em punk, Sid Vicius, do Sex Pistols, parece muito com o Bowie estampado na capa do relançamento de 1972 do clássico Space Oddity.

Com um tino para o futuro, Bowie parece ter previsto o nascimento da new wave com os discos Scary Monsters (and Super Creeps) (1980) e Let’s dance (1983). Por isso, não é assombroso ao ouvir o novo álbum e perceber a sintonia com o contemporâneo na faixa título do novo álbum e Dirty boys, por exemplo.

Confira o que já saiu sobre David Bowie e The Next day no Nada de meias palavras

Faixa a faixa: “The Next day”, o vigésimo quarto álbum de David Bowie

Tradução inédita de “The Stars (are out tonight)”, a música nova de David Bowie 

“The Stars (are out tonight)”: um mergulho na mitologia egípcia

Capa de “The Next day” gera polêmica entre fãs de Bowie

A Ascensão, a queda e ascensão de David Bowie

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Especial Fim de semana: “Laranja mecânica”, a distopia real

23 sábado fev 2013

Posted by jonatanrafaeldasilva in Ensaios, Especial Fim de semana, Literatura

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Anthony Burguess, ensaios, Especial Fim de semana, Laranja mecânica, Literatura

laranja

Anthony Burgess completaria 96 anos na próxima segunda-feira (25), por isso, nada mais junto que o Especial Fim de semana homenageie o livro mais importante deste autor: Laranja mecânica. Lançado em 1962, a obra – junto com 1984, de George Orwell, e Admirável mundo novo, de Audus Huxley – faz parte do inconsciente coletivo quando o assunto é distopia, principalmente, pela sua mais famosa adaptação cinematográfica sob a direção de Stanley Kubrick, em 1971. Apesar de Andy Warhol ter feito a primeira investiga fílmica sobre o livro, Vinyl (1965), somente com o realizador de 2001: Uma odisseia no espaço Burgess viu o sucesso de sua obra-prima dentro da sétima arte.

Mesmo sua produção indo mundo além de Laranja mecânica – sendo composta por obras de não ficção, literatura, ensaios sobre linguística, além de sinfonias e peças teatrais – a saga de Alex e seus druguis é considerada sua maior realização, seja pelo feito de – assim como Orwell em seu clássico – conceber uma linguagem complexa e própria repleta de neologismos à qual chamou de nadsat e era composta, em suma, de sufixos e palavras russas e também das gírias de algumas “tribos” da Inglaterra, como os mods e os rockers – considerados os rebeldes de sua época.

Outra artimanha para conbecer a nadsat foi a inspiração na prosa caótica de Joyce em Finnegans wake, o discurso elisabetano de Shakespeare e a Bíblia, na famosa tradução do Rei James.

Recheado de ultraviolência, as páginas se transformam cada vez mais em eventos reais e, por isso, se torna ainda mais atual, mesmo já tendo completado 50 anos de sua primeira edição. Apesar desse caráter agressivo, Burgess deixou sua marca como católico devoto e usou justamente essa figura religiosa de si para rebater as acusações que recebeu. Nascido da necessidade urgente de deixar à esposa um material digno de espólio, graças a um diagnóstico errado e que apontava o autor com um tumor cerebral, o livro só pode ser concebido porque o escritor descobriu a sua “sobrevida”.

Juventude transviada

A história de Alex funciona como uma sátira cáustica da juventude em todos os tempo e é esse o principal fator que faz com que o livro tenha feito – e ainda faz- tanto sucesso e permite uma importante reflexão sobre a condição social do adolescente e do jovem em geral. Ao formar a gangue, o sociopata traz à tona todas as suas angústias e as dá ao mundo.

Prova cabal, seu fanatismo por música clássica, em especial Beethoven, é o reflexo daquilo que foi exposto em Juventude transviada com James Dean: uma menino bem nascido, mas que sucumbi às pressões sociais e se transforma em um pária, ignorado e subjugado. Entretanto, esse caminho é trilhado sozinho, apesar da companhia de seus druguis – “camarada” em nadsat -, pois, em certo momento é abandonado pelos seus e acaba submetido à Técnica Ludovica, uma espécie de lavagem cerebral para promover a reabilitação de delinquentes juvenis.

Muito além das páginas

Na é difícil imaginar que Laranja mecânica faz parte da cultura mundial e inspirou diversos artistas em vários seguimentos. David Bowie revelou que usou vários aspectos do livro para compor seus álbuns apocalípticos – Ziggy Stardust (1972) e Diamond dogs (1974) – e criar os personagens de ambos – o próprio Ziggy e Halloween Jack.

O visual de Alex – também em sua adaptação cinematográfica de Kubrick – foi responsável por servir de inspiração ao estilista Alexandre Herchcovitch compor sua coleção masculina em 2010. A gravadora Korova, responsável por dar ao mundo discos de Echo and the bunnymen e The Sound, tem seu nome inspirado no Korova Mil Bar, point dos druguis. Vale lembrar, por sinal, o trocadilho de Burgess, já que korova significa “vaca” em russo.

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Especial Fim de semana: James Dean, a tragédia e a realidade do cinema

16 sábado fev 2013

Posted by jonatanrafaeldasilva in Cinema, Ensaios, Especial Fim de semana

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cinema, ensaios, Especial Fim de semana, James Dean

jamesdean

No último dia 08 um dos maiores astros do cinema completaria 82 anos. Com apenas três filmes em Hollywood, James Dean (1931 – 1955) escreveu seu nome na sétima arte, então nada mais justo que o Especial Fim de semana preste a devida homenagem ao homem que ajudou a cunhar a imagem do rebelde sem causa e que, mesmo sem gostar de rock ‘n’ roll, foi responsável por criar a identidade de toda uma geração e influenciar gente como Jim Morrison e Elvis Presley.

Quando a notícia da morte de Dean ecoou por todo o mundo naquele 30 de setembro de 1955, alguns dias antes da estreia de Juventude transviada (Rebel without a cause, 1955), seus colegas de elenco Natalie Wood e Sal Mineo – que assistiam à uma premier do longa – ficariam chocados ao saber que o Porsche do ator colidiu com outro automóvel e que o amigo foi o único a sair sem vida daquela fatalidade.

Dono de uma personalidade forte, James Dean, que participaria de uma corrida nas Salinas, decidiu ele mesmo dirigir seu carro até o local na prova, tendo ao seu lado o mecânico Rolf Wütherich. Segundo apurações à época do acidente, não bastasse a alta velocidade em que trafegava, Dean – que tinha grande dificuldade para enxergar – não estaria usando seus óculos, indispensáveis para que pudesse assumir a direção.

Talento e tragédia

A morte trágica e a carreira meteórica ajudaram a conceber a imagem que hoje temos de James Dean. Mas isso não é tudo: sua atuação em Vidas amargas (East of éden, 1954) como o atormentado Cal Trask, uma espécie de Caim moderno que tentava conquistar a atenção do pai sendo melhor que o irmão Aaron (Richard Devalos); o problemático e revoltado Jim Stark em Juventude transviada e o peão encrenqueiro Jett Rink em Assim caminha a humanidade (Giant, 1956) buscava a perfeição sem ter que deixar de ser ele mesmo.

Não era à toa que deixava jornalistas embevecidos e surpresos ao dizer que “a maior parte dos atores usam uma máscara para não revelarem a si mesmo. Isso é fácil. É fácil mostrar qual personagem está passando, mas difícil de fazer”. Em seu último trabalho, interpretando Jett Rink, sob a “tutela” do diretor George Stevens, mesmo não sendo necessário, Dean teve aulas de como laçar um touro – isso apenas para dar um ar mais real ao personagem.

Rock Hudson, companheiro de Dean nesse mesmo filme, afirmou que “antes de entrar em cena, ele se preparava como um lutador para luta. Nunca se punha diante da câmera sem antes dar saltos no ar ou sair correndo em alta velocidade”. Com atitudes assim é fácil de explicar o temor despertado em seus ídolos Marlon Brando e Montgomery Clift, não que eles tivessem medo de perder trabalhos, mas o novato criou uma estranha sensação em ambos.

Viver rápido e morrer jovem

Essa ferocidade seria fruto de um trauma sofrido quando tinha somente oito anos. Muito apegado à mãe, James Dean não suportou a morte dela e o fantasma de Mildred Wilson o perseguiria por toda a vida. Ainda na infância, ele teria protagonizado a comovente de cena de cair em prantos no meio de uma aula e gritar “eu quero a minha mãe”.

Já adulto, e com a carreira de ator um tanto consolidada, ele desabafou durante uma entrevista: “minha mãe morreu e deixou tudo nas minhas costas”. De certa forma, essa declaração mostra a tentativa de fuga, libertando-se da imagem de órfão deixando pela mãe – que morreu de câncer – e acabou sendo criado pelos tios – por (possível) negligência do pai.

Apesar dessa relação edipiana, foi Mildred quem inseriu o filho nas artes. Muito jovem aprendeu a tocar violino, que abandonou após a morte da mãe, e, acima de tudo, carregava no nome o fascínio dela pela literatura, dando ao garoto o nome de James Byron Dean, uma homenagem ao poeta inglês Lord Byron. Assim, é fácil entender como a tragédia não havia de persegui-lo, quiçá, ser seu guia.

Em uma de suas frases mais célebres, o astro dizia que queria “viver rápido, morrer jovem e ter um belo cadáver”. Mesmo carregando essas chagas, não era difícil amá-lo, vide os homens e mulheres que povoaram a sua vida, em especial a atriz Pier Angeli, que teria sido seu grande amor, mas teve de interromper seu namoro por conta da desaprovação de sua mamma.

Angeli casaria em 1954 com o ator Vic Damone, despertando a ira do ex-affair que, remoendo as mágoas, faria um verdadeiro estardalhaço em frente à igreja pouco antes da saída dos noivos. Como se vê, a carreira de James Dean foi tão rápida quanto pode, mas foi indispensável parar recriar no cinema a atmosfera realista do teatro.

Anúncio protagonizado por Dean em que ele alertava sobre os perigos de dirigir em alta velocidade.

Vídeo raro de James Dean contracenando com Ronald Reagan

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Especial Fim de semana: Entrevista exclusiva com Kid Vinil

08 sexta-feira fev 2013

Posted by jonatanrafaeldasilva in Especial Fim de semana, Música

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Especial Fim de semana, Kid Vinil, Música, The Smiths

Kid Vinil é um dos ícones do rock brasileiro. Vocalista da banda Magazine, ele possui uma das maiores coleções de vinis e CD do país, já foi executivo de gravador, diretor de rádio, apresentador de TV e é referência quando o assunto é música, seu mercado e afins. Kid Vinil é o convidado dessa semana do Especial no Nada de meias palavras.

Os anos 80 foram um dos mais importantes para o rock brasileiro e existe uma espécie de revival eterno desse momento. Qual a principal diferença entre a cena música daquele período e o que vemos no Brasil atual?

Tudo era diferente na década de 80. A começar pelo momento político, existia um espaço aberto a novas ideias. La fora explodia o punk e a new wave e isso acabou refletindo por aqui. De uma forma bem diferente e adaptada a nossa realidade explodia a nossa new wave e o nosso punk. A mídia em geral (rádio, imprensa, TV) abraçou a ideia e abriu espaço pras novas bandas e isso se tornou um movimento popular. O Brasil inteiro cantava nossas musicas. Surgiram inúmeras bandas e uma centena de hits. Na década de 90 a indústria do disco e a grande mídia resolveram investir no lado brasileiro mais popular como pagode, axé e sertanejo e o rock ficou de lado, somente pra recém-chegada MTV. Hoje as coisas são piores, pois o rock não tem nenhum espaço na mídia, mesmo as bandas mais teen começam a perder espaço pros sertanejos. Infelizmente o rock brasileiro voltou pro underground. Existem boas bandas, mas elas não encontram espaço na mídia.

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O vinil voltou com tudo, ao que parece. Assim como é feito lá fora, os artistas brasileiros estão lançando seus trabalhos nesse formato. Ao que você atribuiu esse retorno?

O vinil e um formato cultuado, se o cd tem seus dias contados, o vinil acho que nunca vai acabar, pois foi um dos primeiros e mais consumidos formatos da musica em geral. Tá certo que muitos já nem se importam com o físico e partem pro digital, mas ainda tem muita gente cultuando o vinil, principalmente os colecionadores que não abrem mão disso. Existe uma mágica inexplicável ao se tocar um vinil, nas capas, encartes, tem toda uma arte que atrai o consumidor.

Em uma matéria recente do USA Today, foi descoberto que, nos Estados Unidos, boa parte de quem compra um LP, na verdade, não possuiu o aparelho para tocá-lo. Até que ponto isso é uma tendência de mercado e não o apreço pelo “sabor” da música tocada diretamente do bolachão?

Nos EUA já existem inúmeras ofertas de vitrolas portáteis modelos vintage imitando aquelas das décadas de 50,60 e 70. Muita gente deve comprar vinil porque e cult, chique, sei lá, pra por na parede, mostrar pros amigos. Parece como comprar um livro, mas também e preciso ouvir.

Uma das gravadoras que mais aposta no vinil é a Third Man Rercords, do Jack White. Quem assiste aos seus aos seus podcasts vê que lá você encontrou muita coisa boa. Qual o maior destaque dessa gravadora – além do próprio Jack White?

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Jack White e um fanático por vinil, tanto que montou sua própria gravadora em Nashville. Ele já lançou muita gente em seus compactos limitados. Não existe nenhum artista que seja prioridade em sua gravadora alem dele mesmo e seus projetos. O legal e que ele abre espaço pra muita gente começar lançando seu single, como First Aid Kit,Jeff the brotherhood, smoke fairies,Pujol,The Black Belles e outros novatos. Mas também grava gente famosa como Wanda Jackson, Tom Jones, Beck, Laura Marling Dungen, além de reeditar coisas históricas como John Wayne (a banda) Public Nuisance e agora um pacote de clássicos do blues.

Será que teremos um retorno também das fitas cassete?

Esse formato eu acho difícil, alem de pouco pratico, pois a fita deteriora com o tempo, já o vinil se bem conservado e pra sempre.

Falando um pouco da sua carreira musical. O Maganize está entre as bandas mais icônicas dos anos 80, mas, apesar de ter vindo do punk, ela rompeu com o estilo. Isso foi uma imposição para fazer sucesso ou um direcionamento natural?

Foi um direcionamento natural, não estávamos muito enquadrados no punk local, eu era um executivo de gravadora na época e não conseguia conviver pacificamente com os punks e ao mesmo tempo adorava new wave e powerpop, então decidi fazer uma banda nesse gênero e deu certo.

 Uma pergunta que sempre me fiz: nunca houve problemas pelo fato da sua banda (Magazine) ter o mesmo nome do grupo inglês formado pelo ex-Buzzcocks Howard Devoto?

Não, acho que se tivéssemos escolhido The Police ou qualquer outro nome de banda grande daquela época teríamos problemas, mas Magazine e um nome também encontrado na língua portuguesa. Pros ingleses significa uma revista, mas no Brasil ta mais pra loja, pensamos em nomes de lojas quando resolvemos adotar o nome. Claro que eu já sabia da existência do outro Magazine inglês, mas arrisquei na certeza que não teria problemas, como não teve, acho que o Devoto nunca ouviu falar da gente, pois nosso sucesso foi apenas local. Nunca fizemos nada lá fora, nem mesmo em Portugal ou em países da américa latina.

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Em outras oportunidades você já comentou que nos 90 havia certo preconceito sobre você, seu trabalho… Você pode falar sobre isso?

Na década de 90 o rock nacional dos 80 depois de superexposto na mídia causou um certo cansaço principalmente nas novas gerações que acompanhavam o começo do indie rock. Eu fiz sucesso com um estilo bem pop e muito distante de qualquer alternativo a época. Isso desagradava os indies e ao mesmo tempo incomodava, pois eu quem fazia os programas de rock alternativo no radio. Sempre tive essas varias facetas, nasci com a jovem guarda e adorava aquele rock mais popular, foi a base da minha formação musical, alem e claro de Beatles e Stones. Muitos não entendiam como um cara que gostava de pós-punk e rock alternativo, podia ao mesmo tempo gostar e fazer musica mais popular e comercial. Muitos ate hoje não entendem esse meu ecletismo dentro da musica pop, mas acho que no pop e importante experimentar todas as tendências, claro dentro do que e rock, Sempre fui muito aberto a todas vertentes, das mais populares as mais vanguardistas e experimentalistas. Ate hoje sou assim, ouço de tudo que e pop, sem preconceitos.

Você é um colecionador inveterado. Como é ser colecionador no Brasil, onde quase não se editam singles, compactos são um achado, o vinil ainda é para poucos e o CD anda moribundo.

Compro muito vinil pelo Ebay, as vezes vou as feiras aqui em SP, na Praça Benedito Calixto ou as feiras organizadas pelo Tangerino e pelo Marcio Custodio, lá você encontra muita coisa rara e interessante.

Rubber ring do The Smiths tem os versos “don’t forget the songs that made you cry and that saved your life”. Qual música te fez chorar e qual salvou sua vida – ou te despertou de alguma forma?

Tinha que ser uma dos Beatles: In My Life uma balada lindíssima, com uma letra apaixonante. Um disco dos Beatles que me despertou pra vida foi o “Álbum Branco”, a grande descoberta, a grande revolução na minha vida começava ali.

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Especial Fim de semana: Entrevista exclusiva com o poeta e tradutor Fernando Koproski

01 sexta-feira fev 2013

Posted by jonatanrafaeldasilva in Especial Fim de semana, Literatura, Poesia

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Especial Fim de semana, Fernando Koproski, Literatura, Peosia

O convidado dessa semana é o poeta e tradutor curitibano Fernando Koproski. Dono de uma obra sólida em suas duas “funções”, Koproski nos coloca em xeque ao tratar a verdade da poesia e sua função no mundo atual. Autor de Nunca seremos tão felizes como agora (7 Letras, 2009), Tudo o que não sei sobre o amor (Travessa dos editores, 2003) e Pétalas pálpebras e pressas (Sesquicentenário, 2004), tem no currículo poemas traduzidos de Leonard Cohen e Charles Bukowski.

Como surgiu a poesia em seu caminho?

A poesia é um acaso, uma espécie de acidente, uma voz que chama não os melhores, nem os mais belos, mas provavelmente uma convocação aos mais feios, desajustados, talvez problemáticos ou simplesmente despreparados para ficar frente a frente com a beleza e a verdade. E pra mim, a poesia simplesmente surgiu. Não consigo divisar qual momento, ou evento pudesse ter me levado pra essa vida. Às vezes parece que sempre estive despreparado para isso. Mas vou escrevendo meus versos e aos poucos tateando e reconhecendo o rosto do poema no escuro.

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A sua poesia tem um quê de musicalidade – vale lembrar sua parceria com o Carlos Machado e tantos outros. Um poema nasce para ser poesia ou já é concebido para ser cantado?

Acho que os poemas já nascem com sua música interior, seu próprio ritmo, andamento, pausas, silêncios, e ensaios de refrão. Os poemas nascem como um misto de aroma secreto e pintura íntima que tende à música. Naturalmente, quando acontece de algum poema virar letra de música é porque o leitor, no caso um leitor bem especial que é o músico/compositor, desenvolve na leitura a sua própria maneira de interpretar esses sinais sonoros do poema, utilizando-os para construir uma nova melodia e harmonia em cima das que o texto sugere na folha de papel.

Hoje aos 40, qual a principal diferença da poesia que você fazia aos 20?

Talvez muitas ou nenhuma. Pois comecei escrevendo com uma linguagem bem simples. E depois, livro a livro, fui sofisticando a minha poesia, desenvolvendo-a, sobretudo em “Tudo que não sei sobre o amor”, até estourar ela, consumir toda minha escrita numa obsessão lírica pelas coisas inamáveis desse mundo. Isso está presente mais nitidamente na primeira parte do meu livro “Nunca seremos tão felizes como agora”. Depois disso, cansei desses caminhos. E comecei a rasgar outros, abrir outras picadas na branca mata da página em branco. Atualmente, acho que retomei a simplicidade, a busca pela forma mais direta de falar. Tanto que escrevo com outra simplicidade agora, abrindo ou mesmo escancarando os ouvidos do poema às coisas comuns que me trazem música no dia-a-dia. Em resumo, acho que estou começando de novo. A vida pode não começar aos 40, mas a poesia talvez sim.

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Quem acompanha seu trabalho pelo seu blog ou Facebook percebe uma produção constante. Como é seu ritmo de trabalho?

Escrevo só quando estou a fim. E pra isso, ajuda muito estar num ambiente propício, com minhas músicas preferidas e silêncio, sem ninguém telefonando ou batendo palmas no portão. Mas quando o poema acontece, muitas vezes não dá pra escolher o ambiente ou mesmo deixar pra trabalhar uma ideia depois, porque a perderia para sempre. Portanto não importa se estou numa fila de banco, no chuveiro, no meio da madrugada ou dirigindo num congestionamento. Na hora que pintar o poema, é preciso escrever. O resto que fique pra depois, e danem-se as horas de sono perdidas, as compras de mercado que deixei de fazer, ou as contas que fui pagar e desisti. O poema tem prioridade.

O Rodrigo de Souza Leão (1965 – 2009) diz que o “poeta atual está quase sempre em uma profunda oscilação entre o caráter dionisíaco e o apolíneo em sua arte. Para você, o que é o poeta atual?

O poeta atual é um ser em extinção, um espécime tão obsoleto como o LP, as fitas K7 ou a tipografia. É um elemento cada vez mais dispensável numa sociedade de consumo em rápido e furioso processo de desagregação, estupidificação e apodrecimento mental. E ao mesmo tempo, nada mais necessário que a figura do poeta em tempos de pobreza, hipocrisia, azia afetiva, ou assepsia crítica. Pois a poesia ainda pode fazer pensar e sentir, ela ainda atende à fome do intelecto e à sede dos sentimentos compartilhados na íntima relação entre o poeta e o leitor.

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A poesia é ainda um gênero literário um tanto marginalizado ou considerado privilégio de poucos belestristas – o que não é verdade, em nenhum dos casos. Qual a principal dificuldade do poeta atual?

É ser um poeta no mundo atual! E acho que me adiantei e já respondi essa pergunta na anterior, ok?

Com esse escanteio dado à poesia, o que é preciso para que ela “ressurja” – no sentido de alcance? E de quem é a culpa dessa falta de alcance?

Se houver uma culpa, não a delego às escolas, às editoras ou aos diversos formadores de opinião que influenciam e interferem no mercado editorial. Acho que todos esses contribuem para o aprimoramento da leitura em nosso País. Enfim, talvez não haja culpa de ninguém. Apenas os tempos mudaram e muitos “poetas” ou escritores que rascunhavam poesia não acompanharam essas mudanças e insistem em utilizar velhos modelos já gastos que pouco ou nada dizem às novas gerações de leitores. Em resumo, o afastamento das pessoas da poesia, pode ser uma simples reação ao afastamento dos “poetas” de tudo que rodeia e habita a vida dessas pessoas.

Falando um pouco de seu trabalho como tradutor. Com um currículo que incluiu Bukowski e Leonard Cohen, se você pude escolher um autor – que “ainda não passou pelas suas mãos – qual seria?

Já escolhi alguns, mas é claro que não vou revelar aqui. Acredito que quando temos um sonho, devemos guardá-lo e abrigá-lo em silêncio, para que ele possa se desenvolver adequadamente, antes de estar apto a voar. Quando você fala de sonhos, a lei da gravidez precede a lei da gravidade.

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Há um grande dilema no mundo da tradução e que diz respeito a tradução e si e o tradutor como autor. Para você, o tradutor ele é também autor daquela obra ou ele funciona como intermediário entre a obra e o leitor?

Sim, o tradutor é também autor da obra neste novo idioma ao qual se propõe à tradução. Quando sou tradutor, me vejo como ator de um texto já escrito em outra língua, o qual devo me esforçar para apresentar da melhor forma possível para uma plateia de nossa língua. É como ser ator e coautor ao mesmo tempo desse texto. Isso tudo orientado pela figura imaginária que componho do diretor da peça, que é o autor do texto original, no caso o Bukowski ou o Leonard Cohen. Sacou?

Quais os novos projetos que podem ser esperados para 2013?

Escrever com ainda mais liberdade, talvez começar a escrever ficção dentro da poesia. Pois já escrevi demais sobre a minha vidinha. Agora talvez eu fale sobre a vida dos outros, talvez eu fale sobre a sua vida, Jonatan… Isso, sem fazer fofoca, é claro… rsrsrs… E também quero curtir os amigos, a família, e sobretudo amar a pessoa amada. Lembra do Oscar Wilde? “As mulheres foram feitas para serem amadas, e não para serem compreendidas”. Sejam elas esposas, namoradas, irmãs, mães, sogras, ou tias…

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Especial Fim de semana: Entrevista exclusiva com Julie Hamill, criadora do blog “15 Minutes with…” sobre Morrissey

26 sábado jan 2013

Posted by jonatanrafaeldasilva in Especial Fim de semana, Música, Notícias

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David Bowie, entrevista, Especial Fim de semana, Johnny Marr, Julie Hamill, Música, Morrissey, The Smiths

Nessa edição do Especial Fim de semana, o Nada de meias palavras traz uma entrevista exclusiva com Julie Hamill, criadora do blog 15 Minutes with… sobre o cantor inglês Morrissey. Reunindo entrevistas com diversos colabores do bardo, ela tece uma colcha de retalhos que permite entender melhor como o menino franzino se transformou em uma dos maiores ídolos do rock.

Primeiro de tudo: como e por quê você começou o blog sobre Morrissey?

Acho que faz sentido escrever sobre algo que se ama e eu amo The Smiths e Morrissey desde que os vi em 1985. Eu sou fascinada pelas pessoas que passaram algum tempo com o Morrissey e o Johnny Marr e adoro dar uma espiadinha na memória deles para ter uma ideia de sua verdadeira personalidade, ou melhor, a imprensa mostra isso.

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Os fãs do Morrissey são muito críticos ao que diz respeito a ele. Como você sente isso no seu trabalho?

Acho que isso contraditório e bem besta. Meu site é uma celebração sobre o Morrissey e não estou interessada em quem o odeia. Escrevo para aqueles que o amam.

Seus postos são, geralmente, sobre parceiros antigos de Morrissey. Desse jeito, você acha que pode entender melhor o que é ou quem é o Morrissey de verdade?

Acho que sim. Mas também acho que ele é um fascinante quebra-cabeça que, provavelmente, nunca será resolvido ou corretamente compreendido. É uma tentativa divertida.

Você já tentou planeja uma entrevista com alguma colaborar atual do Morrissey?

Pedi ao Boz [guitarrista que acompanha Morrissey desde 1991] e ele, educadamente, recusou. Falei com o Jake Walters, fotógrafo e grande amigo dele. Ele também declinou, mas ficou encantado com o convite.

O que podemos esperar do “15 minutes with…” nesse ano?

Nunca sei o que está por vir, mas vou tentar trazer a maior variedade possível, de fãs famosos a colaboradores. Se der certo, gente do meio musical. Eu adoraria encontrar Terry Hall [cantor britânico, atualmente na banda de ska The Specials].

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No seu site é possível ler entrevistas com o Spencer Cobrin [baterista], Clive Langer [produtor] , Kevin Armstrong [produtor] e tantos outros. Qual seu favorito?

Eles são todos fantásticos de seu próprio jeito e meu favorito muda o tempo todo. Mas se você me pedisse para escolher um agora, eu diria que é o Clive Langer, mas só porque ainda estou êxtase do quão bacana ele é.

Morrissey é um tipo de influência na “vida cultura” de muitas pessoas. Ele te influenciou de alguma forma?

Eu diria que escolhi parar de comer carne quando tinha 13 anos, mas com certeza, ele tem um dedinho nisso.

Vi que você gosta do Bowie. Na sua opinião, qual a principal diferença entre ele e o Morrissey?

Os dois são cantores únicos. Ninguém foi como eles antes que eles surgissem e nem tem sido desde então. Temo que ache mais semelhanças que diferenças como seres únicos que exploram a cena musical. Talvez, no começo dos anos 80, Bowie tenha feito mais música pop, com Let’s dance e Modern love e etc. Mas, como Morrissey, ele é duradouro, algo de beleza e encanto que merece estar continuar. Eu amo Where are we now?, Life on Mars e tudo do Ziggy Stardust.

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Especial Fim de semana: Entrevista exclusiva com a tradutora Denise Bottmann

18 sexta-feira jan 2013

Posted by jonatanrafaeldasilva in Especial Fim de semana, Literatura, Tradução

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Companhia das letras, Cosac Naify, Denise Bottmann, Especial Fim de semana, Literatura, Não gosto de plágio, tradução, tradução inédita

Iniciando a série Especial Fim de semana, que será publicada às sextas-feiras – com um conteúdo especial ou uma entrevista – o Nada de meias palavras escolheu a tradutor e “caçadora de plágio” Denise Bottmann. Há quase três décadass no “ramo”, Denise tem entre seus trabalhos obras de Hannah Arendt, John Boyne, as memórias de Matisse e a biografia de Van Gogh.

Além disso, ela tem se notabilizado pela “militância” no combate ao plágio nas traduções. Para isso, Denise mantém o blog Não gosto de plágio.

Em seu currículo você tem obras traduzidas de James Wood (Como funciona a ficção), passando por Peter Gay (Freud: Uma vida para o nosso tempo) e desembocando em Marguerite Duras (O Amante). Até que ponto – tendo em vista a diversidade do seu trabalho – a tradução é uma escolha afetiva, isto é, tem o estopim da escolha das obras pelo tradutor – com liberdade de dizer sim e não – e não apenas uma imposição?

Que coincidência! Outro dia mesmo eu falava em “tradução afetiva”! Mas veja, no fundo não há tanta diversidade em meu trabalho. Mentalmente, faço duas “divisões”. A primeira se dá entre obras de humanidades em geral, que é minha área de concentração, e obras de literatura, a que passei a me dedicar mais recentemente. A segunda divisão se dá entre traduções “normais”, digamos assim, e traduções “afetivas”, que não são necessariamente obras literárias (como o caso de Thoreau).

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Este é um lado da coisa. O outro lado é a questão da escolha, que você cita. De modo geral, as editoras conhecem o perfil de seus colaboradores. Então, habitualmente elas propõem obras em minha área e costumo aceitar. É claro que tenho a liberdade de recusar, e já recusei vários livros, pelas razões mais variadas, desde ideológicas a monetárias.

Então, resumindo, não há imposição editorial: há propostas, que você aceita ou não. É possível também você sugerir algum título e a editora topar.

Em entrevista ao jornal Cândido – da Biblioteca Pública do Paraná (BPP) – o e escritor e tradutor Rubens Figueiredo atentou ao fato de que, muitas vezes, o escritor nem bem escreveu o livro e ele já tem sua tradução vendida. Esse “comércio” atrapalha o tradutor ou ajuda a criar uma profissionalização da área?

Acho que as duas coisas. Nos últimos tempos, tenho feito algumas traduções que escapam a meu perfil habitual: são obras mais de circunstância, que prometem sucesso comercial, às vezes com lançamento simultâneo ao da obra original. Aceitei algumas propostas dessas mais por atenção à casa publicadora do que por qualquer outro motivo. Do ponto de vista de satisfação pessoal, não é a melhor coisa do mundo.

Por outro lado, sem dúvida esse tipo de linha editorial obriga a uma maior profissionalização das próprias editoras, para conseguirem ter seus lançamentos na data prevista e com qualidade pelo menos aceitável. É uma tendência que, creio eu, vai se acelerar ainda mais e as editoras e colaboradores terão de se adequar.

Em todo caso, não é muito minha praia. Prefiro aquelas obras chamadas “de fundo de catálogo”, de maior permanência e menos sofreguidão.

Você pode ser considerada uma “caçadora de plágio”, graças às várias denúncias que você apresenta em seu blog, no entanto, você própria já foi vítima dos “monges copistas” – vale lembrar o caso de In the tracks of historical materialism. Qual é o tratamento dado pelas editoras a esse tema?

Pois sabe que vim a descobrir – e é totalmente compreensível – que as editoras sérias são das maiores interessadas no problema? Afinal, como me disseram vários editores, esse fator – a contrafação, o plágio – acaba gerando uma concorrência desleal complicada para eles. Além disso, a perda de credibilidade dessas editoras faltosas junto aos leitores às vezes pode respingar sobre o setor editorial como um todo, o que não interessa a ninguém, claro.

Então, os editores corretos, até onde sei, apreciam que haja uma reação externa – de leitores, de profissionais, de instituições – contra a corrupção dentro do mundo editorial, antes que ela se alastre demais. Por isso, vários editores são francamente simpáticos a tais denúncias, pois veem que elas acabam tendo um efeito saneador dentro do setor.

Recentemente, uma editora com diversos títulos publicados, e com plágios comprovados, teve seus livros comprados para “fins educacionais”. Uma atitude como essa demonstra a falta de preparo dos órgãos responsáveis por fiscalizar o setor?

Ah, sim, sem dúvida! Melhor dizendo, um órgão como a FBN não pode fiscalizar o setor editorial, nem é seu papel. Nessas terríveis ocorrências no Programa do Livro de Baixo Preço, o despreparo se deu na formulação do programa e no cumprimento (ou falta de cumprimento) das normas dos próprios editais e regulamentos. Bastaria que a FBN determinasse que as editoras, no ato de inscrição, anexassem a documentação comprovando a titularidade dos direitos sobre aquelas obras, como acontece normalmente em qualquer outro programa do governo para aquisição de livros para escolas e bibliotecas públicas. Espero que sanem logo essas insuficiências um tanto primárias.

E ainda: se no momento em que é requerido o ISBN é necessário apresentar diversos dados do título – incluindo o nome do tradutor – como é possível que esses livros cheguem às ruas? E qual o papel das livrarias em permitir que uma obra dos tradutores que você chama de “pretensos” chegue ao leitor?

O ISBN, tal como está funcionando na agência brasileira, tem várias deficiências. Você encontra os cadastros mais estapafúrdios, incompletos, fantasiosos que se podem imaginar. O formulário de solicitação de fato pede vários dados; mas, se o editor não os preencher, nem por isso o formulário será devolvido; é aceito e cadastrado daquele jeito mesmo.

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Pois veja, pela Lei do Livro, é obrigatório que conste o ISBN – mas, se você colocar um número qualquer, quem vai fiscalizar, quem vai ver que está errado, que é frio ou falso? Ninguém. O controle tem de ser na hora da entrada da solicitação; depois, não tem como. Até mais importante do que o ISBN, em termos bibliográficos, é a ficha CIP, igualmente obrigatória. Quantos livros nem ficha CIP têm? Agora, ISBN todos têm, falso ou verdadeiro. Por quê? Porque funciona como código de barras para a comercialização do livro. Ou alguém acha que vai à livraria ou ao Extra ou às Lojas Americanas ou aonde quer que vendam livros, escolhe um livro, o caixa vai tirar uma enorme tabela, procurar o título para então saber o preço? Não. É tudo por código de barras – por isso o ISBN passou a ter 13 dígitos, desde 2007, para ficar no mesmo padrão do EAN-13. Aí o caixa pega o livro, passa por aquela maquininha leitora de código de barras, e pronto, já sai o preço na tela para a emissão da nota.

Então, repito, há editoras que não usam CIP e usam ISBN verdadeiro ou falso porque… ora, não porque a Lei do Livro assim determina, mas porque é o código digital que permite a comercialização do produto.

Agora, livraria é outro drama. Por lei, as livrarias são solidárias na responsabilidade pela contravenção. Mas, na prática, vai da consciência do livreiro. E como muitas livrarias não se importam se vendem fraudes ou não, desde que vendam, a delinquência editorial fica protegida por essa conivência ampla, difusa e generalizada.

O que dizer de nomes como Pietro Nassetti – se ele realmente existisse?

Pietro Nassetti existiu. Incrível, não? Todo mundo acha que era nome inventado. Nada! Era um italiano que migrou para o Brasil nos anos 50 ou 60, dentista, seguidor das doutrinas de Huberto Rohden, amigo do sr. Martin Claret, que morava no ABC paulista e, ao que consta, cedia de muito bom grado seu nome para os cometimentos de seu amigo. Faleceu alguns anos atrás, acho que em 2007, se não me engano. Vai dizer o quê? Repouse em paz. Coitado, virou motivo de escárnio e nome que, hoje em dia, é sinônimo de falcatrua. Triste destino.

Agora, quanto a nomes realmente inventados para encobrir fraudes de tradução, como Enrico Corvisieri, Alex Marins, Jean Melville, John Green, Leopoldo Holzbach, Jorge Luís Penha, Roberto Domenico Proença, Pedro H. Berwick, Peter Klaus Ivanov… É uma galeria de mau gosto, do nível de seus inventores.

Mudando o rumo da conversa, Paulo Henriques Britto, poeta e tradutor, disse ao se referir sobre seu (dele) trabalho de transpor para o português os poemas de Elizabeth Bishop que, muitas vezes, o tradutor precisa abrir mão de algumas coisas, ou seja, precisa construir um objetivo e traçar o caminho até ele. Assim, o tradutor tem o poder de escolher como o texto original vai chegar ao leitor?

Não é bem assim. É que não tem outro jeito. Existem mil maneiras de traduzir uma mesma coisa. Então não é bem um “poder”, é uma necessidade de escolha. Feita essa pequena retificação, sim, o tradutor tem a necessidade de escolher como o texto original vai chegar ao leitor.

E é uma responsabilidade e tanto, pois, na hora em que você “decide”, digamos assim, qual o partido que vai adotar, que tipo de tratamento vai dar à obra em sua tradução, o que você julga mais adequado ou mais compatível com o original, você vai ter de manter esse mesmo tipo de aderência/descolamento ao longo de todo o texto. Não é fácil. E é por isso que podem existir tantas traduções de uma mesma obra. As escolhas nunca são as mesmas.

Ainda sobre a afirmação, nessa escolha, qual é o maior peso que o tradutor tem que levar em conta?

Irrespondível. Cada tradutor vai dizer uma coisa, e o mesmo tradutor vai dizer coisas diferentes para tipos de obras diferentes, para finalidades diferentes, em épocas diferentes.

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Um debate intenso tem sido feito em torno da terceira tradução de Ulysses, de Joyce, feita pelo curitibano Caetano Galindo, e que muita gente já chamou, por entre as linhas, de definitiva. Esse debate que, até certo ponto se tornou popular, é válido na sociedade ou deve ficar restrito a um conclave acadêmico ou uma roda intelectual?

Ah, é validíssimo, e quanto mais amplo melhor! Não li a tradução dele, mas vi aqui e ali vários comentários. Li Ulisses (com i, que foi a opção usada) na tradução do Houaiss. Sempre achei comicíssimo, delicioso. Claro que a tradução do Houaiss é meio pesada, com aqueles neologismos todos, meio empolados demais. Pelo pouco que vi da do Galindo, parece que ele pega mais esse veio muito cômico e divertido do Joyce. Tem ainda a da Bernardina Pinheiro, que também não li, mas, até onde sei, dá um tratamento mais acessível ao texto.

O que eu acharia legal, na verdade, é que lessem mesmo o Uli(y)sses. É importante, é simpático, é divertido – ficou toda essa aura mítica de grande obra, difícil, isso e aquilo. Sim, claro, mas também é muito legível. Ninguém precisa manter nenhuma atitude de deferência, de temor e respeito. As grandes viajações semânticas, a grande revolução literária, as inovações estilísticas e formais, as referências eruditas, tudo isso vem de bônus – e se quiser, pois, se não quiser, a pessoa pode se divertir e ter uma ótima leitura, mais solta, mais descompromissada.

Qual o legado da tradução no Brasil?

O Brasil é um país de formação eminentemente traduzida. É impossível imaginar o país sem depender vitalmente de tradução, em todos os níveis, de bula de remédio e manual de instrução a tudo o que se tem de biologia, física, química, astronomia, filosofia, direito, sociologia, antropologia, economia, teologia, engenharia, matemática, informática, literatura, o que for. No Brasil, até desenvolvemos conhecimentos, mas a partir de bases previamente dadas e sempre dentro de uma dinâmica constante de renovação, que se dá sobretudo em plano internacional. A produção dessa base de conhecimento no mundo ocidental sempre se deu em outra língua que não o português – grego, latim, inglês, francês, alemão, mesmo árabe, e um pouco talvez em italiano e espanhol. E essa dinâmica científica, cultural, intelectual em sentido amplo, continua a ser abastecida basicamente em centros internacionais. Acho que a pergunta é: como seria o Brasil sem tradução?

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