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Renoir (2012), de Gilles Bourdos, lançado em maio do ano passado na França, acaba de chegar ao Brasil e, como se não bastasse o atraso, está disponível em apenas nas salas Itaú Cinemas. Independentemente das intempéries, o longa é um retrato comovente da vida do impressionista Auguste Renoir (1841 – 1919), mas não espere um drama cult, ao contrário, o filme demonstra sensibilidade sem ser piegas e, ainda assim, conseguindo, literalmente, colocar as “tintas” do biografado na tela.

Assim como Derek Jarman fez com Caravaggio, em seu longa homônimo de 1986, Bourdos aproveitou as características de seu “personagem” para compor a fotografia. Por isso, não se espante em ver cenário que lembram grandes obras de Renoir, como “Mulher amamentando” e “Rosa e azul”. A beleza das paisagens e as cores fortes, mas sem saturação, não escondem o tormento de um homem que há pouco perdeu a esposa e vive as dores de uma artrite que o corrói, quase o impedindo de trabalhar.

Renoir é vivido por Michel Bouquet e impõe ao personagem a seriedade e a serenidade de um artista maduro que se vê rejuvenescido ao encontrar uma nova musa, Andrée Heuschling (Christa Theret). Entre tudo isso, seu filho Jean (Vincent Rottiers) volta ferido da Primeira Guerra Mundial e começa a se apaixonar por Andrée e também pelo cinema – sem dúvida, sua maior paixão e que o levaria à fama com clássicos como A Regra do jogo (1939), A Grande ilusão (1937) e a célebre adaptação do clássico realista Madame Bovary (1933).

Comoção lenta

Colocando lado a lado os dilemas artísticos e éticos, Renoir consegue abordar a brutalidade da guerra sem mostrar a morte e sem se apoderar de lugares-comuns sobre o tempo. Bourdos não transforma o fim da vida de um artista consagrado em um martírio público, tampouco inflige ao expectador a comoção lenta da morte.

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