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A censura chega a beirar a burrice. O jornalista sergipano José Cristian Góes foi condenado  a sete meses e 16 dias de prisão por ter escrito um texto ficcional sobre o coronelismo, mas que acabou por ofender um desembargador do estado que, por uma estranha coincidência do destino, é cunhado do governador do estado Marcelo Déda (PT).

Sem dar nomes aos “bois”, nem indicar lugares, o texto de Góes, escrito em primeira pessoa, fez com que Edson Ulisses se sentisse incomodado, para dizer o mínimo, com a expressão “jagunço da lei” e resolveu por punir o jornalista. Eu, o coronel em mim, publicado originalmente, em maio de 2012, possui tom confessional e conta com trechos polêmicos como: “Na polícia, mandei os cabras tirar de circulação pobres, pretos e gente que fala demais em direitos. Só quem tem direito sou eu. Então, é para apertar mais. É na chibata. Pode matar que eu garanto. O povo gosta. Na educação, quanto pior melhor. Para quê povo sabido? Na saúde…se morrer ‘é porque Deus quis’.”

A atitude do desembargador em calar, porque não há outra palavra para um ato como esse, o jornalista que, por meio de um texto ficcional, de estilo crônica – vamos deixar tudo bem claro, por isso tanta explicação -, e que, portanto, é inspirado em fatos reais, pode se tornar um precedente para que algo tão arcaico e brutal se dissemine por aí.

Mas não teve jeito: o quiproquó sobre a condenação, ou não, já dura desde o ano passado, porém, a sentença saiu no último dia 04 e foi confirmada por Góes. Realmente, a realidade é muito mais estranha que a ficção.

Leia aqui o texto de Góes, na íntegra.

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