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Aproveitando todo o frenesi de homenagens e tributos à Legião Urbana e ao seu líder, Renato Russo, morto em 1996, não poderia haver momento melhor para o lançamento épico de Faroeste caboclo, dirigido por René Sampaio, e que conta a saga de João de Santo Cristo, um homem que “não entendia como a vida funcionava e a discriminação por causa da sua classe e sua cor” e que deixa interior/sertão para tentar ganhar a vida em Brasília.

Enfim, a história, escrita por Russo quando tinha apenas 18 anos e gravada nove anos depois, não é novidade para ninguém. Entretanto, ao contrário de Somos tão jovens, longa lançado recentemente, Faroeste caboclo encanta pela sua originalidade pouco inventiva: ele segue passo a passo a música, mas sem cair nos clichês óbvia como citar trechos ou fazer inúmeras referências à Turma da Colina.

Fabrício Boliveira, surpreende como Santo Cristo, mas o mais impressionante é Isis Valverde no papel de uma Maria Lúcia “patricinha”, filha de um senador (Marcos Paulo), que personifica o “general de dez estrelas que fica atrás da mesa com o cu na mão. Certamente, essa era a maior resistência do filme: imaginar Maria Lúcia não como uma degrada, da mesma forma como o protagonista, mas sim como estudante de arquitetura que se apaixona pelo carpinteiro-traficante.

Welcome to the Django

Com trabalhos como Tropa de elite 2 e, o já famigerado, Isso é Calypso, que deve estrear esse ano, Boliveira consegue dar a Santo Cristo aquela empatia única que o público gosta de ter com os mocinhos-bandidos, das produções realistas de Pasolini, por exemplo.

Apesar de ter sido produzido, praticamente, em paralelo com Django livre, de Quentin Tarantino, o que impediria o diretor brasileiro de pinçar influências no épico americano, porém, é quase impossível não observar similaridades entre as obras e tirar disso um saldo extremamente positivo.

Segundo Sampaio, muitas das referências cinematográficas do seu filme são as mesas usadas por Tarantino, como o faroeste spaghetti e clássicos como o Django “original”, estrelado por Franco Nero, sob a batuta de Sergio Corbucci. De forma geral, o longa de Sampaio é uma aula de cinema brasileiro, na qual é possível transferir influência desterritorizadas e obter algo tão brasileiro.

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