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Lançado dias atrás, BE, o novo trabalho do Beady Eye, banda formada pela subtração do Oasis menos o Noel Gallagher, chega às lojas” para sedimentar o início de carreira do grupo, que já começa com quase vinte anos. Assim como álbum anterior, Different gear, still speeding, de 2011, esse segundo trabalho puxa pelo lado menos convencional do Oasis e consegue brilhar justamente por fugir do lugar comum.

Obviamente, é impossível não perceber referências ao finado grupo e às influências mais clássicas de Liam Gallagher e sua trupe: Beatles e os grupos dos anos 60. Já de cara, “Flick of the Finger”, uma canção escrita por Liam, Gem Archer (guitarras) e Andy Bell (guitarras) e que parece ter saído diretamente do último disco do Oasis, Dig out your soul, de 2009.

A segunda faixa, quando anunciada, parecia uma cover do Bowie: “Soul love”. Sem dúvida, um dos grandes destaques do disco, com uma sonoridade psicodélica e uma letra simples, bem típica do Gallagher mais novo: “All I know is you can be / Everything you want to be / Life is short, so don’t be shy /Tears of joy is all you’ll find”. “Face the crowd” soa como os mods dos anos 60 e representa uma guinada no disco, embora não empolgue muito.

Sem incômodos

Primeiro single do disco, “Second bite of the apple” foi lançada no programa de Zane Lowe, na BBC Radio 1, em 15 de abril e foi bem recebida pela crítica à época. Apesar de ser uma das obras-primas do Beady Eye, a faixa alcançou somente a 112ª posição nas paradas inglesas. “Soon Come Tomorrow”, com letra e música de Andy Bell, também parece ter escapado de Dig out your soul, mas tem uma sonoridade mais sóbria, deixando de lado a psicodelia excessiva que aquele álbum possui. Essa impressão de resquício do último disco do Oasis vem, em parte, por conta do vocal de Liam, que lembra – e muito – seu timbre em “I’m outta time”, um dos singles do derradeiro trabalho.

“”Iz Rite”, considerada por muitos como a música mais fraca do segundo disco do Beady Eye, merece uma segunda chance. Por mais que não seja o exemplo de maior inspiração do grupo, a faixa vale os versos: “Come on it’s real / You know how I feel / You give me something here / And it’s all I know / It’s all I know”. A canção que se segue, “I’m Just Saying”, funciona como um preparativo para uma das partes mais esperadas e inspiradas de BE, a provocativa “Don’t brother me”.

Primeiro: Liam faz um trocadilho imperdível e imperdoável com as palavras “brother” e “bother”, respectivamente, irmão e incomodar. Ao longo de seus mais de sete minutos, Gallagher manda uma recado claro ao seu irmão Noel: “Don’t brother me when you’re done / Sick of all your lying / Scheming and you crying / They say that I’m free but I’m one / I’m always in the sun / Did you number one?”. Mesmo com toda a fúria, Liam usa John Lennon para chamar Noel às pazes: “In the morning, I’ve been calling / And hope you understand / All or nothing, I’ll keep pushing / Come on now give peace a chance  Take my hand, be a man”. Certamente, um dos melhores momentos de BE, repleto de cítaras, que se repete em “Shine a light”, mas não em  “Ballroom figured” e muito menos em “Start a new”.

Assista aos dois novos clipes do Beady Eye

Flick of the finger

Second bite of the apple

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