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Chega às livrarias dos Estados Unidos nesta terça-feira (14) o quarto livro da trilogia (??) com o professor simbologista Robert Langdon. Inferno, escritor por Dan Brown, o “célebre” autor de O Código Da Vinci, é inspirado pela versão dantesca, literalmente, do mundo dos mortos. Assim seus antecessores, Anjos e demônios, o já citado O Código Da Vinci, e O Símbolo perdido, inferno é um emaranhado de teorias da conspiração presas por uma história tênue e segue algo que mais parece um esquema – como veremos adiante.

Dan Brown, uma espécie de Nora Roberts, porém, muito menos profícuo, ganhou fama em 2003 ao lançar ao mundo a “grande teoria” de que Jesus teria se casado com Maria Madalena e que, aos olhos dos parvos, se transformou em algo revelador sobre a história do cristianismo. Fenômeno de massa até em Bagdá. Aos poucos foi se descobrindo que todo o enredo não passava em um copiar e colar de que diversos outros autores fizeram. Qual o grande feito de Brown, então? Encadear ideias e romanceá-las. O que o diferenciaria, por exemplo, de nomes importantes da ficção contemporânea como Philip Roth e Ian McEwan?

Em suma, a qualidade do texto. Enquanto McEwan transforma operações militares verídicas, como a retratada em O inocente, ou fatos históricos determinantes, como o 11 de Setembro em Sábado, Dan Brown vive em um mundo à parte, algo à lá Paulo Coelho, imerso em suposições esotéricas e religiosas, baseadas por crenças e nada mais.

Esquema tático

Quem já leu a “trilogia” com Langdon deve ter atentado a um esqueminha criado pelo autor. Ao que tudo indica, ou ninguém se deu conta propriamente, ou seus leitores realmente não se importam de ler sempre o mesmo enredo engessado, porém, com alguns acontecimentos diferentes.

O desenleio das histórias é muito simples.

ASSASSINATO => MISTÉRIO REVELADOR => ROMANCE INEVITÁVEL

Não há diferenças no desenrolar, os três livros seguem a mesma fórmula embora, logicamente, mudam-se os personagens secundários, os acontecimentos e os lugares. O que esperar de Inferno? Apenas mais uma repetição.

Ao redor do mundo, este é considerado o grande lançamento, o livro que irá salvar as vendas de 2013, da mesma forma como aconteceu com Morte Súbita, de J. K. Rowling, no ano passado. Quando se vê livros como estes, incluindo o 50 tons de cinza, chegando ao topo da lista dos mais vendidos uma pergunta não cala: até que ponto vale a pena uma leitura ruim para alguém que não tem o hábito de ler? Ou ainda: até que ponto esse tipo de leitura é válida?

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