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Aproveitando o boom do cinema nacional, que vive um dos seus melhores momentos, Somos tão jovens, dirigido por Antonio Carlos da Fontoura, já arrecadou R$ 5,8 milhões, o que significa atingir a sexta posição no ranking das melhores estreias de 2013 – o que, comparado com blockbusters como Homem de ferro 3, The Croods e Oblivion, é uma marca importantíssima e que merece ser comemorada.

Entre pequenas falhas – em sua maioria relacionadas a fendas temporais, como no momento em que Renato Russo (Thiago Mendonça) sai caminhando e ao fundo se ouve Por enquanto, música que não existia na época – e algumas pieguices, a cinebiografia do líder da Legião Urbana dá um banho na sua congênere que retratou outro ídolo dos anos 80, o exagerado Cazuza (O Tempo não para, 2004).

Muito mais que o herói de uma geração, o longa de Fontoura mostra um Renato Russo humano entre crises, incertezas e a lapidação do talento e da bagagem cultural do criador de verdadeiros estandartes da música brasileira como Que país é este, Será, Geração Coca-cola e Fátima. Quem já eu uma das melhores biografias já escritas sobre Russo, Renato Russo: o trovador solitário, do jornalista Arthur Dapieve, percebe alguns equívocos ou mesmo histórias um tanto estranhas, como a “amizade” com Aninha (Laila Zaid) e que seria a “musa” para o clássico Ainda é cedo.

(Não me lembro ao certo aonde li, mas tenho certeza de que ter visto uma declaração do próprio Renato Russo que a menina que inspirou Ainda é cedo também é o tema de Acrilic on canvas).

Crime e castigo

Sem deixar de lado as polêmicas, como a descoberta da bissexualidade e a autoafirmação, a declaração de amor a Flávio Lemos (Daniel Passi), ex-baixista do Aborto Elétrico e que depois ajudou a criar o Capital Inicial, o filme pega leve em temas como a drogas, que já estavam presentes na adolescência do cantor.

O fator “drogas” seria, justamente, uma das explicações para o comportamento rebelde de Russo, que nunca escondeu seu vício e que ganharia lirismo máximo em Há tempos – “Parece cocaína, mas é só tristeza” – e L’Âge d’Or – “Já tentei muitas coisas, de heroína a Jesus/Tudo o que já fui por vaidade”.

Além disso, a produção vale muito por retratar a “tchurma”, evidenciando a relação entre Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude, mas deixando de lado banda como Arte no Escuro e a fantástica Escola de Escândalo.

Assista ao trailer

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