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Argo, de Ben Affleck, não mereceria levar o Oscar de melhor filme. De cara já digo. O grande problema do longa nem está na sua história e sim no tom americanista e que, com certeza, foi o fator preponderante para que fosse o escolhido. Django, de Quentin Tarantino, se saiu muito melhor em todos os quesitos, entretanto, abordar a América escravocrata foi um ato de coragem e que tirou o prêmio das mãos do diretor de Kill Bill, Bastardos inglórios e Pulp fiction.

Primeiro de tudo: ao contrário do que se tem dito, Django não é uma ofensa à herança negra nos EUA, afinal, mostra de uma forma realista o que os negros passaram nas mãos dos brancos. Outra controvérsia, muito destacada pelo Spike Lee, é o uso da palavra “nigger” para se referir aos escravos – e que tem um significado pouco lisonjeiro. Mas cadê o contesto histórico e ambientação se fosse usado outro termo?

Por mais que Argo também mostre um fato importante – o resgate dos reféns na embaixada norte-americana no Irã com a ajuda do Canadá -, não deu o verdadeiro valor ao temos, explorando, simplesmente, pelo viés colonialista e imperialista tão comuns nas produções cinematográfica. Não há como tirar o mérito do longa, embora nenhum ator se sobressaia, muito menos Affleck, que também não merecia levar o prêmio de melhor ator, de sua qualidade técnica assombrosa e da boa condução da história – mesmo com a abordagem precária.

Quem esperava um filme calminho de Django é porque não conhece Tarantino. Quem esperava um filme perfeito de Argo é porque não conhece Affleck. São duas boas opções para uma pipoquinha, mas um delas de coloca em reflexão e faz pensar na situação brasileira em relação ao tema e outra… bem, a outra distrai muito bem.

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