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Há treze anos a indústria da música não fechava o ano em azul e os executivos das gravadoras não sorriam em paz. Um relatório divulgado pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) ontem (26) deu conta do avanço de míseros 0,3% em 2012 – mas que fez muita gente ficar aliviada – em um mercado atulhado de artistas pop, porém, nenhum com alguma relevância histórica – ou que podemos dizer que marcará época.

Em tempos de concordata da His Master’s Voice (HMV) – maior cadeia de loja de discos do mundo -, que, por sinal, teve algumas de suas filiais adquiridas por uma rede de supermercados, pode-se ver uma luz no fim do túnel. A expectativa criada pelos novos discos de artistas-chave de suas épocas, como Johnny Marr, Suede e David Bowie, deixa claro que, apesar de o comércio ilegal de músicas ainda prejudicar a indústria fonográfica, o consumidor já começa a refletir sobre a importância de pagar pela arte que consume.

Consequências

A baixa no volume de vendas repercutiu claramente no bolso dos músicos e das gravadoras. Gente, como o britânico Morrissey, chegava a não fazer shows para promover seus discos – como aconteceu com o clássico Vauxhall & I (1994), acaba se obrigando a ter uma agenda lotada de apresentações para conseguir o “pão de cada dia”.

Já as gravadoras precisam suprir a falta de grana abocanhando boa parte do fee cobrado pelo artista durante a turnê, ou seja, termina por receber uma porcentagem pelos concertos de seu cast. Essa foi o motivo alegado por Morrissey para não fechar com nenhum selo para gravar seu álbum inédito, além de não querer produzir nada de forma independente, embora em sua banda um excelente produtor: o guitarrista Boz Boorer, dono de um estúdio em Portugal.

Terra Brasilis

Um boletim, também veiculado ontem, Associação Brasileira de Produtores de Discos mostrou que o mercado fonográfico aumentou 83%. Isso mesmo, 83%! Mas esse boom só foi possível graças ao incremento das vendas em formato digital. Essa pode ser a salvação para um formato que nunca pegou no Brasil: o single.

Fosse esse o compacto – vinil 7’’ -, CD ou cassete, não tinha jeito: o brasileiro nunca foi muito afeito a comprar a música de trabalho e seus b-sides, tinha que ser o disco. Enquanto na Europa um artista lança o single e, posteriormente, seu álbum, muitas vezes aquela música que estourou nas rádios nem está no disco. Veja o caso de Boys don’t cry, do The Cure, que nunca fez parte do début album dos ingleses, mas que se transformou em hino do grupo.

Com esse novo panorama digital o brasileiro tem adquirido singles sem medo – mesmo que muita gente nem saiba o que seja isso. Investir em quantidade de músicas de trabalho talvez volte a ser a solução para o faturamento do setor, embora o que realmente é preciso mudar refere-se à qualidade do que é produzido.

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