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Não foi tão surpresa assim. Depois que Argo, dirigido e estrelado por Ben Affleck, faturou o Globo de Ouro, o BAFTA e o Critics’ Choice Award seria, praticamente, natural que levasse também o Oscar – considerado o prêmio mais importante da indústria cinematográfica. Com um contexto histórico cheio de polêmica, envolvendo a invasão da embaixada norte-americana em Teerã – capital do Irã – por militares islâmicos que exigiam a extradição de Mohammad Reza Pahlavi, ex-xá do país, a produção alcançou grande sucesso.

Valendo-se da metalinguagem e um a boa história, realmente, Argo é muito superior ao longa As Aventuras de Pi, de Ang Lee e inspirado no famigerado A Vida de Pi, livro copiado por Yann Martel de Max e os felinos, do gaúcho Moacyr Scliar. Diferentemente do magistral Amor, de Michael Haneke – e que deveria ter levado a estatueta -, o filme de Affleck se inspira no real e em um período conturbado: a guerra fria.

Questões políticas

Logo que foi lançado, Argo levantou poeira e que, por sinal, ainda não baixou. Muitos protestos, em especial do mundo islâmico, culminaram na “ameaça” de Teerã em contar o seu lado da história em uma “superprodução”, ou seja, uma resposta, um contra-ataque ao modo estadunidense de ver as coisas.

O que deixou todos os detratores do filme ainda mais irritados foi a presença de Michelle Obama – sim, a primeira-dama norte-americana -, responsável por entregar o prêmio de Melhor Filme para Affleck, o que foi visto, por grande parte da imprensa iraniana, como questão política.

 A maior das injustiças

A interpretação fabulosa de Emmanuelle Riva, em Amor, não foi a grande a vencedora do prêmio de Melhor Atriz, perdendo para Jennifer Lawrence, por A Hora mais escura. Dona de uma carreira brilhante, Riva merecia o prêmio não somente ser seu aniversário de 86 anos o dia da entrega do Oscar, mas por uma carreira fabulosa iniciada com Hiroshima, mon amour, de Alain Resnais, de 1959, que a transformou em uma figura cult do cinema europeu. Vale lembrar que o Hiroshima contou com roteiro de Marguerite Duras.

Portanto, mais que um reconhecimento por seu desempenho em Amor, a estatueta lhe seria justa pelo conjunto de sua obra.

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