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Anthony Burgess completaria 96 anos na próxima segunda-feira (25), por isso, nada mais junto que o Especial Fim de semana homenageie o livro mais importante deste autor: Laranja mecânica. Lançado em 1962, a obra – junto com 1984, de George Orwell, e Admirável mundo novo, de Audus Huxley – faz parte do inconsciente coletivo quando o assunto é distopia, principalmente, pela sua mais famosa adaptação cinematográfica sob a direção de Stanley Kubrick, em 1971. Apesar de Andy Warhol ter feito a primeira investiga fílmica sobre o livro, Vinyl (1965), somente com o realizador de 2001: Uma odisseia no espaço Burgess viu o sucesso de sua obra-prima dentro da sétima arte.

Mesmo sua produção indo mundo além de Laranja mecânica – sendo composta por obras de não ficção, literatura, ensaios sobre linguística, além de sinfonias e peças teatrais – a saga de Alex e seus druguis é considerada sua maior realização, seja pelo feito de – assim como Orwell em seu clássico – conceber uma linguagem complexa e própria repleta de neologismos à qual chamou de nadsat e era composta, em suma, de sufixos e palavras russas e também das gírias de algumas “tribos” da Inglaterra, como os mods e os rockers – considerados os rebeldes de sua época.

Outra artimanha para conbecer a nadsat foi a inspiração na prosa caótica de Joyce em Finnegans wake, o discurso elisabetano de Shakespeare e a Bíblia, na famosa tradução do Rei James.

Recheado de ultraviolência, as páginas se transformam cada vez mais em eventos reais e, por isso, se torna ainda mais atual, mesmo já tendo completado 50 anos de sua primeira edição. Apesar desse caráter agressivo, Burgess deixou sua marca como católico devoto e usou justamente essa figura religiosa de si para rebater as acusações que recebeu. Nascido da necessidade urgente de deixar à esposa um material digno de espólio, graças a um diagnóstico errado e que apontava o autor com um tumor cerebral, o livro só pode ser concebido porque o escritor descobriu a sua “sobrevida”.

Juventude transviada

A história de Alex funciona como uma sátira cáustica da juventude em todos os tempo e é esse o principal fator que faz com que o livro tenha feito – e ainda faz- tanto sucesso e permite uma importante reflexão sobre a condição social do adolescente e do jovem em geral. Ao formar a gangue, o sociopata traz à tona todas as suas angústias e as dá ao mundo.

Prova cabal, seu fanatismo por música clássica, em especial Beethoven, é o reflexo daquilo que foi exposto em Juventude transviada com James Dean: uma menino bem nascido, mas que sucumbi às pressões sociais e se transforma em um pária, ignorado e subjugado. Entretanto, esse caminho é trilhado sozinho, apesar da companhia de seus druguis – “camarada” em nadsat -, pois, em certo momento é abandonado pelos seus e acaba submetido à Técnica Ludovica, uma espécie de lavagem cerebral para promover a reabilitação de delinquentes juvenis.

Muito além das páginas

Na é difícil imaginar que Laranja mecânica faz parte da cultura mundial e inspirou diversos artistas em vários seguimentos. David Bowie revelou que usou vários aspectos do livro para compor seus álbuns apocalípticos – Ziggy Stardust (1972) e Diamond dogs (1974) – e criar os personagens de ambos – o próprio Ziggy e Halloween Jack.

O visual de Alex – também em sua adaptação cinematográfica de Kubrick – foi responsável por servir de inspiração ao estilista Alexandre Herchcovitch compor sua coleção masculina em 2010. A gravadora Korova, responsável por dar ao mundo discos de Echo and the bunnymen e The Sound, tem seu nome inspirado no Korova Mil Bar, point dos druguis. Vale lembrar, por sinal, o trocadilho de Burgess, já que korova significa “vaca” em russo.

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