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Desde as declarações dadas à Folha no último domingo (17), o diretor de O Som ao redor, Kleber Mendonça Filho, que está em Istambul para promover o longa, tem se visto às voltas em uma polemica envolvendo Cadu Rodrigues, diretor-executivo da Globo Filmes.

O imbróglio se deveu à afirmação de que se “filmasse o churrasco do vizinho”, e ele fosse distribuído pela Globo Filmes, atingiria – sem dificuldades – 200 mil espectadores em salas de cinema espalhadas pelo Brasil. Em suma, Mendonça Filho levou ao debate a qualidade discutível  de “blockbusters” tupiniquins como De pernas para o ar e Se eu fosse você.

Em replica, Rodrigues o desafiou a levar as mesmas 200 mil pessoas ao cinema com seu Som ao redor – que em pouco mais de oito semanas já arrebatou um público de 80 mil pagantes. Entretanto, comparar um filme de arte – e que, provavelmente, nem tenha a intenso de ser popular – com projetos cinematográficos que lembram as novelas chega a ser ridículo e impossível.

Por isso, a tréplica de Kleber foi tão audaciosa quanto a resposta do executivo ao propor que a Globo Filmes trabalhasse com produções que visassem além do comercial e colocassem valores de arte em evidência no cinema.

Mecenato

Até que ponto o que as distribuidoras e produtoras fazem não é uma espécie de mecenato – um tanto deturpado? Os artistas, ao receberam o pagamento pela obra, a confeccionavam com certos preceitos à mercê de quem os paga.

Não é difícil pensar na questão de um país em que a educação não está em destaque possa existir público qualificado para apreciar filmes de arte ou com conteúdo subjetivo. Isso não é, necessariamente, um desmerecimento de filmes como Tropa de elite, por exemplo, mas é preciso pensar que há outros universos que devem ser explorados – em todas as acepções da palavra.

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