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No último dia 08 um dos maiores astros do cinema completaria 82 anos. Com apenas três filmes em Hollywood, James Dean (1931 – 1955) escreveu seu nome na sétima arte, então nada mais justo que o Especial Fim de semana preste a devida homenagem ao homem que ajudou a cunhar a imagem do rebelde sem causa e que, mesmo sem gostar de rock ‘n’ roll, foi responsável por criar a identidade de toda uma geração e influenciar gente como Jim Morrison e Elvis Presley.

Quando a notícia da morte de Dean ecoou por todo o mundo naquele 30 de setembro de 1955, alguns dias antes da estreia de Juventude transviada (Rebel without a cause, 1955), seus colegas de elenco Natalie Wood e Sal Mineo – que assistiam à uma premier do longa – ficariam chocados ao saber que o Porsche do ator colidiu com outro automóvel e que o amigo foi o único a sair sem vida daquela fatalidade.

Dono de uma personalidade forte, James Dean, que participaria de uma corrida nas Salinas, decidiu ele mesmo dirigir seu carro até o local na prova, tendo ao seu lado o mecânico Rolf Wütherich. Segundo apurações à época do acidente, não bastasse a alta velocidade em que trafegava, Dean – que tinha grande dificuldade para enxergar – não estaria usando seus óculos, indispensáveis para que pudesse assumir a direção.

Talento e tragédia

A morte trágica e a carreira meteórica ajudaram a conceber a imagem que hoje temos de James Dean. Mas isso não é tudo: sua atuação em Vidas amargas (East of éden, 1954) como o atormentado Cal Trask, uma espécie de Caim moderno que tentava conquistar a atenção do pai sendo melhor que o irmão Aaron (Richard Devalos); o problemático e revoltado Jim Stark em Juventude transviada e o peão encrenqueiro Jett Rink em Assim caminha a humanidade (Giant, 1956) buscava a perfeição sem ter que deixar de ser ele mesmo.

Não era à toa que deixava jornalistas embevecidos e surpresos ao dizer que “a maior parte dos atores usam uma máscara para não revelarem a si mesmo. Isso é fácil. É fácil mostrar qual personagem está passando, mas difícil de fazer”. Em seu último trabalho, interpretando Jett Rink, sob a “tutela” do diretor George Stevens, mesmo não sendo necessário, Dean teve aulas de como laçar um touro – isso apenas para dar um ar mais real ao personagem.

Rock Hudson, companheiro de Dean nesse mesmo filme, afirmou que “antes de entrar em cena, ele se preparava como um lutador para luta. Nunca se punha diante da câmera sem antes dar saltos no ar ou sair correndo em alta velocidade”. Com atitudes assim é fácil de explicar o temor despertado em seus ídolos Marlon Brando e Montgomery Clift, não que eles tivessem medo de perder trabalhos, mas o novato criou uma estranha sensação em ambos.

Viver rápido e morrer jovem

Essa ferocidade seria fruto de um trauma sofrido quando tinha somente oito anos. Muito apegado à mãe, James Dean não suportou a morte dela e o fantasma de Mildred Wilson o perseguiria por toda a vida. Ainda na infância, ele teria protagonizado a comovente de cena de cair em prantos no meio de uma aula e gritar “eu quero a minha mãe”.

Já adulto, e com a carreira de ator um tanto consolidada, ele desabafou durante uma entrevista: “minha mãe morreu e deixou tudo nas minhas costas”. De certa forma, essa declaração mostra a tentativa de fuga, libertando-se da imagem de órfão deixando pela mãe – que morreu de câncer – e acabou sendo criado pelos tios – por (possível) negligência do pai.

Apesar dessa relação edipiana, foi Mildred quem inseriu o filho nas artes. Muito jovem aprendeu a tocar violino, que abandonou após a morte da mãe, e, acima de tudo, carregava no nome o fascínio dela pela literatura, dando ao garoto o nome de James Byron Dean, uma homenagem ao poeta inglês Lord Byron. Assim, é fácil entender como a tragédia não havia de persegui-lo, quiçá, ser seu guia.

Em uma de suas frases mais célebres, o astro dizia que queria “viver rápido, morrer jovem e ter um belo cadáver”. Mesmo carregando essas chagas, não era difícil amá-lo, vide os homens e mulheres que povoaram a sua vida, em especial a atriz Pier Angeli, que teria sido seu grande amor, mas teve de interromper seu namoro por conta da desaprovação de sua mamma.

Angeli casaria em 1954 com o ator Vic Damone, despertando a ira do ex-affair que, remoendo as mágoas, faria um verdadeiro estardalhaço em frente à igreja pouco antes da saída dos noivos. Como se vê, a carreira de James Dean foi tão rápida quanto pode, mas foi indispensável parar recriar no cinema a atmosfera realista do teatro.

Anúncio protagonizado por Dean em que ele alertava sobre os perigos de dirigir em alta velocidade.

Vídeo raro de James Dean contracenando com Ronald Reagan

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