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Passados exatos 50 anos da morte de Sylvia Plath (1932 – 1963), completados nesta segunda-feira (11), a identidade da mulher que se matou ao inalar gás de cozinha no fogão de sua casa – e isolou o cômodo para que não atingisse seus filhos que ainda dormiam – permanece uma incógnita. Enquanto alguns biógrafos a definem como desesperada – e colocam a chave desse desequilíbrio muito mais na sua relação com a mãe que com o marido, Ted Hughes (1930 – 1998) -, outros mostram que Plath entrou em colapso simultaneamente ao início do reconhecimento de sua poesia.

De certa forma, as duas hipóteses não estão, de um todo, erradas. A morte chegou a ela menos de um mês após lançar A Redoma de vidro, livro que ajudaria a cunhar a imagem de mulher dramática e à beira de um ataque de nervos. Sua obra-prima, Ariel, só seria lançada dois anos depois de sua morte e seria o primogênito de muitos “filhos póstumos”, dos quais destacam-se as várias edições que seus diários receberam.

Muita gente acredita que estaria, justamente, nesse conjunto confessional – assim como sua poesia – de anotações a chave para compreender a mulher, a artista e, acima de tudo, a suicida Sylvia Plath que, depois de descobrir as traições recorrentes de Hughes, não colocaria um ponto final apenas no casamento. Outro fator que corroborou para a deterioração de Plath está centrado no fato de Ted foi morar com a “outra” – o que teria a enlouquecido e feito com que ficasse alguns meses sem sair de casa.

Censura?

O namoro que havia começado na faculdade e se transformado em um verdadeiro romance hollywoodiano, uma joie de vivre, culminou em uma relação trágica e que ajudaria a pontuar a carreira meteórica de Sylvia Plath que, assim como James Dean (1931 – 1955) e Ian Curtis (1956 – 1980), recebeu uma “pequena ajuda” de seu próprio fim para poder entrar para o mainstream.

Voltando à questão dos diários, quem os lê não encontra nenhuma revelação, nenhuma verdade inesperada sobre ela. Essa falta de fatos se deve, em partes, à possível edição feita por Hughes nos textos que poderiam comprometê-lo. Além disso, todo o espólio ficou legado à cunhada de Plath, Olwyn Hughes – por quem, por sinal, não nutria grande admiração – o que leva a crer que tenha existindo uma espécie de censura sobre diversas situações que poderia macular a honra da família Hughes.

Como desgraça pouca é bobagem, a linhagem dos Hughes parecem ter um quê de Kennedy. Nicholas, o filho mais novo de Ted e Sylvia, nascido em 1962, teve um fim parecido ao da mãe. O biólogo se enforcou em março de 2009 em sua casa. Frieda (1960), primeiro filho do casal, afirmou que o irmão tinha uma forte depressão.

Sylvia Plath lê “Daddy”

Entrevista concedida em 1962

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