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A literatura, em 2012, esteve muito bem servida, tanto em obras de autores nacionais quanto internacionais, sejam inéditas ou alguma espécie de reedição. A ideia desse post – prometido e pretendido para dezembro, mas que acaba por sair só agora – é juntar os cinco melhores livros em duas categorias: ficção inédita, reedição e edição ‘atrasada’ – que são livros lançados em seu “país de origem” anos atrás mas que, porém, ainda não haviam recebido a devida edição brasileira ou receberam um nova publicação no Brasil. Por questão de justiça, os livros estão listados em ordem alfabética de título.

Ficção inédita

Barba ensopada de sangue

Daniel Galera – Companhia das letras, 424 páginas

Considerado por muitos um dos romances mais esperados, Barba ensopada de sangue teve seu primeiro capítulo publicado na edição Os Melhores jovens escritores brasileiros da revista inglesa Granta e, realmente, essa é a parte mais bem traçada do livro, tanto assim é que ele serve de fio condutor para todo o restante. Apesar do realismo frio de Galera, o livro é divisor de águas na carreira do autor e fez com que ele atingisse um novo patamar.

O Filho de mil homens

Valter Hugo Mãe – Cosac Naify, 258 páginas

Livro que sucede o vencedor do Prêmio Portugal TelecomA Máquina de fazer espanhóis –, O Filho de mil homens traz a prosa característica de Hugo Mãe, repleta de oralidade e uma construção narrativa muito própria. Contando a história do menino Camilo, desamparado que encontra o consolo no mundo e na forma de se entregar aos fatos críveis e incríveis da vida.

A Máquina de madeira

Miguel Sanches Neto – Companhia das letras, 248 páginas

Sem dúvida um dos melhores romances brasileiros de todos os tempos, A Máquina de madeira reconta a história de um Brasil esquecido, perdido entre fatos corruptos e que colocam nosso país em um degrau abaixo do resto mundo. O livro de Sanches Neto é cheio de poesia, construídos sobre o real, transita entre a realidade e a ficção como poucos já fizeram e traça uma trama digna de estar entre os melhores.

Poeira fria

Carlos Machado – Arte e letra, 88 páginas

Não era de se esperar algo que não soasse lírico de Poeira fria. Recheado com a biografia do autor – que se divide entre a música e a literatura -, o livro mostra a pungência extraída da ausência da mulher amada. Um relato corajoso e um acerto de contas consigo mesmo, a obra já está presente em outras “antologias” dos melhores de 2012.

Serena

Ian Mcewan – Companhia das letras, 384 páginas, tradução de Caetano Galindo

Mais que um romance policial, Mcewan subverte o gênero e cria uma narrativa indefectível, capturando o leitor pelo jogo de palavras e ideias. Lançado no Brasil antes mesmo de sair na Inglaterra, Serena coloca em xeque a noção de realidade, tanto para os personagens, quanto para quem lê.

Reedição e edição ‘atrasada’

Bonsai

Alejandro Zambra – Cosac Naify, 64 páginas, tradução de Josely Vianna Baptista

Zambra é um dos principais autores da nova geração de literatos chilenos e foi um dos convidados da FLIP do ano passado. Para coroar sua vinda ao solo brasileiro, a Cosac Naify não deixou passar a oportunidade de lançar o romance de estreia do autor, originalmente publico em 2006. Pequeno e delicado como um bonsai, o livro é um rio que tem imensos afluentes em si mesmo e permite a intertextualidade e a variada interpretação.

A Brincadeira favorita

Leonard Cohen – Cosac Naify, 248 páginas, tradução de Alexandre Barbosa de Souza

Primeira investida do poeta canadense ficção, A Brincadeira favorita foi lançada originalmente em 1963, mas só aportou por aqui no ano passado; criada como romance de formação, alguns fatos da vida do protagonista se chocam com a vivência do próprio Cohen e fluem em uma prosa em que nada deixa a dever para a obra poética e o musical que consagrou o autor.

Dom Quixote

Miguel de Cervantes – Penguin-Companhia, 1328 páginas (2 volumes), tradução de Ernani Ssó

Paródia do romance de cavalaria, Dom Quixote superou as barreiras da autoria e se transformou em adjetivo – quixotesco – para o que parece impossível. Uma das reedições mais importantes e impressionantes do ano, marca a presença em solo brasileiro de uma das obras mais importantes da literatura universal em edição primorosa e cuidadosa.

No andar do tempo

Iberê Camargo – Cosac Naify, 80 páginas

Multifacetado, o gaúcho Iberê Camargo transitou entre as artes plásticas e a literatura esporádica e colocou em suas mãos a poesia da beleza e do desagradável. No andar do tempo, que foi publicado anteriormente pela LP&M, recebeu texto de quarta capa de Nuno Ramos e ilustrações do próprio autor.

Ulysses

James Joyce – Penguin-Companhia, 1112 páginas, tradução de Caetano Galindo

Calhamaço de Joyce, o livro ganha uma importante reedição com tradução de Caetano Galindo, curitibano que tem se destacado nesse feito, com autores “difíceis” no currículo – como Thomas Pynchon, Lou Reed e Ali Smith – e dispensa quaisquer apresentações. Tentando se colocar entre o hermetismo da primeira tradução, de 1966, feita pelo filólogo Antonio Houaiss e o “popularesco” da professor Bernardina da Silveira, de 2001, a empreitada chamou a atenção para um revival da obra de Joyce.

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