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Diferentemente do que vemos acontecer com o Jabuti que, aos tropeços das recentes edições, vem perdendo o prestígio conquistado em cinco décadas de existência, o Prêmio Portugal Telecom de Literatura – que acaba de chegar à décima edição – tem conquistado a crítica e o publico pela sua relevância e atualidade.

Sem se perder em dezenas de categorias, a premiação é breve: romance, conto e poesia – sem contar o Grande Prêmio, disputado entre os vencedores das outras categorias. Portanto dizer que Valter Hugo Mãe, angolano que vive há tempos em Portugal, atingiu – não o ponto máximo mas, – um ponto importante de sua carreira ao levar para casa os troféus de melhor romance e do Grande Prêmio não é mero exagero.

A Máquina de fazer espanhóis, de 2011, assim como O Filho de mil homens, seu livro mais recente, ambos lançados pela Cosac Naify, imprime na literatura atual um lirismo pouco usual e consegue atrair os olhares mais atentos – para não dizer mais bem treinados e acostumados com uma literatura de bom gosto.

Simples assim

Sem regras mirabolantes e o lobby de alguns trustes do mercado editorial, o prêmio se torna simples ao contemplar livros de língua portuguesa publicados no Brasil.

O grande trunfo é laurear não apenas os “canonizados”, o que fez com o artista plástico e escritor carioca Nuno Ramos recebesse o troféu pelos poemas reunidos em Junco, lançado ano passado.

Na categoria de contos, a surpresa não foi assim tão grande. O Anão e a ninfeta do veterano e recluso curitibano Dalton Trevisan foi o escolhido.

Independentemente do valor dos prêmios, que não uma merreca qualquer, o Portugal Telecom está garantindo seu lugar como referência.

Que a hora do Jabuti se reinventar já passou não é novidade, agora o que resta é a atitude de mudar e voltar a carregar o signo do bom agouro literário, antes que estejamos premiando a autoajuda, o esotérico e o pueril.

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