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Em um zapping rotineiro uma matéria no Guardian me chamou a atenção: os melhores livros de 2012, escolhidos por alguns escritores. Entre eles, está um de meus prediletos: Jonathan Franzen – autor do monumental Liberdade, Zona de desconforto e As Correções. Claro que me ative às suas escolhas e dispensei os demais pares.

Para minha surpresa, Franzen já deixa claro que “foi tomado por alguns romances brasileiros” e que “não são novos, mas são novidade para mim”. O primeiro é Budapeste, de Chico Buarque, lançado por aqui em 2003. O livro, que antecedeu o controverso Leite derramado, de 2009, conta a “saga” de Costa, um ghost-writer em débito consigo mesmo e com a vida.

Na outra ponta, há Nove noites, de 2002, de Bernardo Carvalhoque também não é novidade para ninguém. O que isso nos mostra?

Franzen, depois de Liberdade, se transformou em uma sensação no mundo todo – algo muito parecido com o que aconteceu com Ian McEwan após Reparação – e sua opinião tem grande valor. Um tanto contrariado, ele foi escolhido pela Oprah, Liberdade ganhou um “selinho” de recomendação da apresentadora – “selinho” que muitos leitores retiraram das capas com certa discrição e um sentimento de vexame.

Além-mar

Da mesma forma, a literatura brasileira tem alçado voo para o estrangeiro. Bernardo Carvalho, Cristóvão Tezza, Milton Hatoum e, claro, os “eleitos” pela Granta – eleição que, como eu já disse, mexeu com a vaidade de muita gente e provocou críticas nada amistosas às escolhas.

Enfim, o mundo editorial está olhando com maior cuidado para o que tem sido feito por aqui. Um bom exemplo disso é Barba ensopada de sangue de Daniel Galera, que acaba de ser lançado por aqui e já tem traduções vendidas all over the world. (Livro ganhará resenha aqui em breve).

A nossa literatura, digo, sua expansão além-mar, é a expressão de que a cultura brasileira tem recebido o respeito merecido e se desvencilhado do estereótipo de “bunda, caipirinha e carnaval” – isso, sem deixar de criar uma identidade própria, o que, graças a Deus, não significa em nada ter cor local, um dos maiores erros das tentativas de criar um literatura – e arte em geral – com aspectos indefectíveis e também indissociáveis.

Para mim, o que conta não é a opinião de Franzen – embora acho que ele tenha escolhido bem -, mas sim, o fato de a percepção sobre a literatura brasileira ter ganhado respeito e notoriedade – vide a Feira de Frankfurt que, recentemente, homenageou escritores brasileiros e também a de Guadajara – que colocará o brasil em evidência . Agora resta a nós, brasileiros, esquecermos que alguns escritores – que nem literatura são, não passam de autoajuda -, levam o nome do Brasil para os Estados Unidos e Europa. Levam! Mas não ELEVAM.

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