Tudo é tempo

Tal qual a esfinge

Que, de cansada,

Já não devora

Mas é devorada.

 

Tudo é passado

Que, de sem tempo,

Já não passa

Mas é ultrapassado.

 

Eu me observo

De fronte –

E me enfrento:

Vem a mim

Digo zombeteiro

Entre o que,

Enfim,

Se assemelha a um sim.

 

Então recuo

E me embriago

Do que

Já não bebo

 

E de tão sóbrio

Sou apenas o que resta

Sou apenas o que sobra.

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