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Mudaram-se as regras. E nada mudou. Depois do imbróglio entre Chico Buarque – com seu Leite derramado – e Edney Silvestre – com Seu fechar os olhos agora – em 2010, graças à atribuição, pelo Prêmio Jabuti de Livro do Ano, para o compositor de A Banda, neste ano temos um novo quiprocó.

O maringaense Oscar Nakasato venceu essa mesma categoria com livro début, Nihonjin, lançado pela Benvirá, selo da Editora Saraiva. O que tem sido contestado é que, um jurado identificado apenas por C, teria privilegiado autores estreantes como Nakasato em detrimento de nomes canônicos como Ana Maria Machado, por exemplo.

Esse jurado, que terá seu nome revelado no dia 28 de novembro, quando os vencedores recebem seus prêmios, teria dado notas baixíssimas para os já consagrados, em alguns casos algo próximo ao zero, enquanto Nakasato teria recebido nota dez em todos os quesitos. O que há de errado nisso? Não poderia, esse jurado, não teria gostado, de Infâmia de Ana Maria Machado que, pelas contas do curador do 54º Prêmio Jabuti, José Luiz Goldfarb, teria sido o grande vencedor deste ano?

Aí, me pergunto, por que Dalton não ganhou na categoria contos? E por que Nuno Ramos não recebeu o prêmio pelo seu livro de poemas Junco? Cito esses dois casos porque eram, a meu ver, os favoritos em suas respectivas categorias e, caso vencessem, me deixariam muito feliz. Mas o que isso importa? Absolutamente, nada.

A questão do favoritismo pretendido por Goldfarb é realmente decepcionante. Ele, assim como todo mundo, tem suas preferências, e o fato de um de seus protegidos não ter arrebatado o prêmio não quer dizer nada. Ele informou que foi enganado por C, que teria sido sábio o suficiente para usar da artimanha da liberdade que dispunha em dar as notas que bem entendesse ao autor que bem quisesse. Vê-se que Nakasato, que já havia vencido o prêmio da Benvirá e, por isso, teve Nihonjin publicado, não deveria ter sido o grande vencedor et pourquoi?

Porque algumas pessoas com podres poderes não queriam. Entretanto, o maringaense levou a melhor. Não defendo arbitrariamente, defendo porque, cada vez mais, o Prêmio Jabuti tem se mostrado um parque de diversões para alguns e túnel assombrado para outros. O romance de Nakasato, uma bela alegoria para a imigração japonesa, coloca lado a lado o lirismo e a dureza de um povo que deixou sua terra para viver em um lugar estranho ao seu.

Devemos nos lembrar que, séculos atrás, Jules Verne não entrou para a Academia Francesa de Letras. E por quê? Porque achavam que sua ficção não estava à altura da instituição. No entanto, na obra de Verne ficou e de quem o barrou não nos sobrou nem mesmo o nome para lembrar.

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