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Jean Cocteau (1889 – 1963) dedicou-se a todas as formas possíveis de arte, gravitando desde a poesia, passando pelo desenho e até mesmo o cinema. Sempre a frente de seu tempo, construiu um universo próprio, onde imperava a beleza – em forma e conteúdo – e também a vanguarda. Orphée, estrelado por Jean Marais, seu grande amor, é prova cabal disso. Sua obra, infelizmente, parece esquecida no Brasil. As traduções abaixo são minhas.

Homenagem a Eric Satie

Madame Henri Rousseau
sentada em um balão prisioneiro
ela segura um ramalhete
e o oficial aduaneiro Rousseau
comendo seus aperitivos

O aloé soprava com a lua
e a cadeira em tronco
e a linda roupa
e a bela lua
sobre as lindas folhas

O leão africano
seu avantajado ventre feito um saco
ao pé da República
o leão africano
devorando o cavalo do coche

A lua penetra a flauta
do charmoso de ébano
Yadwigha adormecida escuta
sua sina à flauta doce
uma peça em forma de uma pera.

Escola de Guerra

Que tediosa é a vida,
às cinco e meia
com essa matina a meio-mastro

As cornetas contagiosas
multiplicam-se dentro dos quartéis
tal qual uma doce epidemia

Deus como é triste este galo de cobre
o anjo ciclista
a sina dos pequenos
para enviar milhares de despachos

A pobre corneta se cala
dentro dessa enorme casa
e acordam gelados
os viajantes da Grande EstepeNao esque¿a de subir aqui na loja

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