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A despeito de possuir uma profícua obra poética, Herman Melville (1819 – 1891) é, praticamente, lido apenas por sua prosa – principalmente por Mody Dick e Bartleby, o escrivão – tanto no Brasil quanto no resto do mundo. Por isso, achei justo apresentar duas traduções inéditas de seus poemas. Ambas são produção minha, portanto, não devo créditos a outro tradutor.

Arte

Nas felizes horas plácidas sonhamos
Com tantos bravos esquemas informes.
Então uma forma a tomar, que vida vibrante cria,
Aquilo a que coisas distintas devem juntar-se e procriar:
Uma chama a queimar – uma brisa a refrescar;
Triste procrastinação – jubilantes energias;
Humildade – ainda que orgulhosa e tola;
Instinto e instrução – amor e ódio;
Eis que devem multiplicar-se: audácia e reverência,
E fundir-se ao coração místico de Jacó
Para duelar com um anjo – a Arte.

Aurora Borealis

Que poder interrompe as Luzes do Norte
Depois de furtivamente aparecer?
O observador solitário sente imenso respeito
À persuasão da Natureza.
Como que surgindo,
Ele marca sua ascensão instantânea
Em uma fria amargura –
Recuadas e ataques,
(Como os lentos movimentos da destruição),
Transições e progressos,
E rastros de sangue.

O fantasma-hospedeiro desapareceu por completo
O Esplendor e o Terror se foram
Presságio e promessa – e adeus
À pálida e gentil Aurora;
A ida, a vinda,

Parecidíssimas a uma questão que surge –
Assim como Deus,
Ordenando e comandando
As milhões de lâminas que brilham,
A revista das tropas e a dispersão –
Na Meia-noite e ao Raiar do dia.

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